Páginas Vinculadas

Página específica para a 3ª edição do curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade:

sábado, 15 de janeiro de 2011

Trabalho do Grupo de Estudos Aprovado no IRSPM: Gestão Pública e Controle Democrático: condições para uma cidadania plena

Gestão Pública e Controle Democrático: condições para uma cidadania plena

(resumo aprovado para apresentação no INTERNATIONAL RESEARCH SOCIETY FOR PUBLIC MANAGEMENT REGIONAL CONFERENCE - Public Management for the Development of South and Central Americas - Brasília 9 - 11 May 2011)

Édi Augusto Benini

Lucidarc Luís de Oliveira

Wandson Carvalho Carneiro


Resumo: Hoje temos, de forma hegemônica, um tipo de gestão pública de caráter burocrático, no sentido sociológico do conceito, ou seja, enquanto sistema de dominação social ou um tipo de controle do Estado sobre a sociedade. Em que pese todas as inovações da chamada “administração pública gerencial”, argumentamos que tais melhorias, ainda que necessárias, do ponto de vista de processos, não mudam o caráter burocrático do Estado brasileiro, pautando alguns aspectos de participação ou de controle social de forma secundária, face as decisões macro-políticas estruturantes, que determinam, dentre vários aspectos, qual tipo de desenvolvimento será hegemônico. Para analisar melhor essa perspectiva, recuperamos o conceito e conteúdo de cidadania plena, na perspectiva de apropriação do espaço público e efetiva participação e soberania popular, discutindo quais são as condições necessárias para sustentar esse processo. Dessa forma, tendo em vista o caráter ainda autoritário das instituições políticas, advogamos que a implementação, progressiva, do instituto do “controle democrático”, por meio de ações mais contundentes de participação e envolvimento do cidadão, seja no acompanhamento e fiscalização das atividades desempenhadas pelo poder público, seja participando de atividades de planejamento e desenvolvimento, ou ainda no acompanhamento direto da execução das políticas públicas, além de reverter o atual esvaziamento e instrumentalização da cidadania, pode lhe conferir nova dinâmica emancipatória.

Palavras chave: cidadania, controle social, controle democrático, gestão pública

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DIREITOS E PLENO EMPREGO: DILEMAS DO SÉCULO XXI

O capital é mundial


Todos os homens são iguais perante a lei é uma afirmação da Revolução Burguesa. Após muitas lutas históricas o proletariado conquistou, em alguns países do capitalismo central, direitos sociais e econômicos. Esses direitos, conhecidos como de segunda geração, estão sendo arrancados pelo desemprego estrutural e pela política neoliberal. A Resolução n. 32/130/1977 da ONU diz: “é impossível a realização dos direitos civis e políticos sem o usufruto dos direitos econômicos e sociais”. Os direitos de dispor do próprio corpo, de locomoção e de segurança são chamados de civis. Os direitos políticos dizem respeito à liberdade de expressão de pensamento, de prática política e religiosa. Já os mencionados direitos sociais e econômicos, que são heranças das lutas socialistas, se referem à alimentação, saúde, educação, habitação e trabalho. De acordo com o artigo sexto da Constituição do Brasil são direitos sociais: o direito à saúde pública, ao trabalho, à habitação, ao lazer, à segurança, à previdência social e à proteção da maternidade e da infância. O direito à habitação foi criado em 2000, por uma emenda constitucional. Mas ainda há no Brasil 41,6 milhões de pessoas morando em favelas, isto é, 36,0% da população (Davis, 2006, p.34). Portanto, a habitação digna é um direito social, entre outros, que não foi alcançado pela classe proletária, em sua maioria de cor preta ou parda. Não basta a economia crescer é preciso distribuir, de forma justa, a riqueza produzida pela classe trabalhadora e, para isto, as reformas urbana, agrária, tributária e fiscal são essenciais. E os impostos devem ser progressivos, ou seja, quem ganha mais deve pagar mais. No nosso país ocorre justamente o contrário. O capitalismo melhorou durante os governos de Fernando H. Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, é óbvio. Mas a segurança social não deve ser reduzida à bolsa-família e, muito menos, às ditas intervenções policiais “pacificadoras” em bairros de pobres. Com o violento processo de urbanização, subordinado à especulação econômica, temos 52% dos habitantes sem saneamento básico. A classe trabalhadora ainda está muito distante da idealizada modernidade burguesa, ou seja, da prometida “Igualdade, Liberdade e Fraternidade” e já se fala em “pós-modernidade”. Diante do tamanho da miséria os reparadores planos de cotas e de bolsas são muito restritos. Ainda há 73,3 milhões de eleitores sem o ensino fundamental completo e dos 105 milhões de trabalhadores brasileiros cerca de 40% não possuem carteira assinada, o que Zygmunt. Bauman chama, em seu livro “Vidas Desperdiçadas”, de entulhos humanos lançados fora do sistema de classe pela hipermodernidade capitalista. A pobreza é uma disfunção estrutural de um sistema que gera e reproduz desigualdades e destrói, de forma acelerada, a natureza. Salve Pachamama!


Felipe Luiz Gomes e Silva felipeluizgomes@terra.com.br

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As Contradições do Processo de Autogestão no Capitalismo


As Contradições do Processo de Autogestão no Capitalimo: funcionalidade, resistência e emancipação pela economia solidária

Édi Augusto Benini, Universidade Federal do Tocantins – UFT
Elcio Gustavo Benini, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS




RESUMO:
O propósito deste trabalho é tecer algumas reflexões, referentes à questão da autogestão, no contexto do movimento da chamada “economia solidária”. Para tanto, o caminho aqui percorrido foi aquele que considera a realidade saturada de contradições e em constante transformação. Buscou-se ter como orientação epistemológica algumas categorias fundamentais, das quais se destacam: a perspectiva de totalidade, a centralidade do trabalho e a problemática da alienação. Observamos que a práxis, do movimento de trabalhadores em se associarem, é situada dentro da crise estrutural do capital, logo, tal movimento sugere duas perspectivas: como organizações funcionais ao sistema, logo, uma alternativa produtiva de geração de renda e de trabalho; e/ou como uma forma de resistência dos trabalhadores. Concluímos que, apesar da situação de funcionalidade, a lógica da acumulação, dos empreendimentos ditos “solidários”, esta situação não é um determinismo linear, mas sim um movimento de criar, continuamente, novos pontos de resistência, fruto das reiteradas tentativas de experimentar algum grau de autogestão no capitalismo, o que aponta para novas possibilidades históricas e políticas derivadas de uma consciência coletiva em construção.

Palavras-chave: Economia solidária. Autogestão. Alienação. Mudança social.


* Artigo publicado na revista Organizações & Sociedade, Vol. 17, Nº 55 (2010) no link: http://www.revistaoes.ufba.br/viewissue.php?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sinais de "insustentabilidade"


De fato o tão comentado "desenvolvimento sustentável", a cada dia se demonstra como um modismo vazio e entorpecente.

Como modismo, a emoção atropela qualquer reflexão, vale mais frases de efeitos, propaganda, marketing e discursos inflamados, e quando menos esperamos, tudo mundo agora é verde, é ecológico, pois virou cult! A cada dia mais empresas aderem a chamada "gestão ambiental", ou ao selo verde, entre outros artefatos...

Entretanto, os vários sinais de insustentabilidade não cessam de aumentar, tais como:

- degelo nos pólos
- aumento do calor e diminuição de chuvas no Tocantins
- orçamentos da familias cada vez mais comprometidos com moradia e transportes (ver ultimo censo)
- custos crescentes com serviços de saúde (devido ao aparecimento de novas doenças, ou de uma vida menos sadia, ou da mercantilização de tratamentos, etc)
- aumento do assedio sobre os sistemas ecológicos (novo código florestas, grandes obras na região norte, etc)

E a lista segue... sem que se faça uma discussão, séria, das conexões e causas do agravamento deste quadro. Até quando vamos ficar iludidos e entorpecidos com fáceis promessas e explicações deturpadas? Ou será preciso ainda mais desastres e tragédias para se perceber os riscos que todos nós estamos envolvidos.

Mas a pior "insustentabilidade" é a política, pois a falta de informações, manipulação de dados, uso de questões, da maior gravidade, para auto-promoção, dificulta ou mesmo bloqueia a conscientização, tomada de posição, logo, organização política e elaboração coletiva de alternativas.

A quem serve essa confusão?


Prof. Édi A. Benini



sábado, 20 de novembro de 2010

PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO


Por Verônica Dutenkefer

Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos, que é o tempo que ainda precisará trabalhar (por mais que ame muito o que faz).

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante seja: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país????

Constantemente, ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos, evidentemente.

questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos, na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e nos cobram o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país.....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição..

Dia a dia...minuto a minuto... os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo físicas pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano.

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ......

E, quando ameaçados de morte, se recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai adiantar nada!”

Meus bons alunos presenciam o mal aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância...

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?”

Então eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia frequentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar.Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida..

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto...mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia?

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito às autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e posando nuas para ganhar dinheiro.

Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas? ??

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional.

Li, há poucos dias, num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados à área de magistério não estão tendo procura nas universidades.

Lógico!!!!!Quem é que quer ser professor??? ??????

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e respeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas?

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que aliás adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e, num determinado momento, o repórter perguntou:”Onde estava o professor que não viu isso??!!”

E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano??? Ah...já sei...o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso..

Vocês tem conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo??? ?

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim:

“Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!”

“Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!”

“Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!”

“Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.”

“Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.

Impunidade.

Mas a educação não vai bem, por causa do professor..

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li há poucos dias:

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"


O BOM NESTE PAÍS É SER POLITICO. APOSENTA-SE COM 8 ANOS DE "TRABALHO(?) ", E QUE SALÁRIO!!! (sem contar que não precisa grande formação acadêmica pra isto, infelizmente...)


PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO


Por Verônica Dutenkefer

Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos, que é o tempo que ainda precisará trabalhar (por mais que ame muito o que faz).

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante seja: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país????

Constantemente, ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos, evidentemente.

questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos, na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e nos cobram o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país.....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição..

Dia a dia...minuto a minuto... os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo físicas pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano.

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ......

E, quando ameaçados de morte, se recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai adiantar nada!”

Meus bons alunos presenciam o mal aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância...

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?”

Então eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia frequentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar.Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida..

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto...mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia?

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito às autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e posando nuas para ganhar dinheiro.

Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas? ??

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional.

Li, há poucos dias, num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados à área de magistério não estão tendo procura nas universidades.

Lógico!!!!!Quem é que quer ser professor??? ??????

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e respeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas?

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que aliás adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e, num determinado momento, o repórter perguntou:”Onde estava o professor que não viu isso??!!”

E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano??? Ah...já sei...o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso..

Vocês tem conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo??? ?

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim:

“Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!”

“Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!”

“Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!”

“Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.”

“Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.

Impunidade.

Mas a educação não vai bem, por causa do professor..

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li há poucos dias:

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"


O BOM NESTE PAÍS É SER POLITICO. APOSENTA-SE COM 8 ANOS DE "TRABALHO(?) ", E QUE SALÁRIO!!! (sem contar que não precisa grande formação acadêmica pra isto, infelizmente...)


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PRIVATIZAÇÃO, SOFRIMENTO E SUICÍDIOS NO TRABALHO: A violência invisível

Como dissemos no artigo anterior a Cia. Vale do Rio Doce foi privatizada por FHC em 1997. Hoje é a segunda maior mineradora do mundo, atua em 30 países com um conglomerado que reúne cerca de 60 empresas e 150 mil operários. Mas, além de destruir o meio ambiente, tem invadido e expulsado trabalhadores das suas terras na Indonésia, no Maranhão e em outros lugares. Afirmamos também que a situação dos “bóias-frias”, que podam mais de 8 toneladas de cana/dia na próspera Califórnia Brasileira, não melhorou com a democracia. Os que não morrem de superdose de trabalho (mais-valia absoluta), sem reposição de energia e de potássio, estão “felizes” com seus celulares, DVDs etc. Como estão as condições de trabalho na França? Melhores do que no Brasil? O Movimento de Jovens Comunistas da França (MJCF) tem mobilizado politicamente a juventude contra o neoliberalismo, contra as perdas de direitos trabalhistas e sociais. A juventude que luta nas ruas e nos colégios diz ( para além da reforma na aposentadoria) o que está em jogo é a questão da escolha de sociedade: individualista/competitiva ou solidária? Participei, recentemente, do “Seminário Internacional de Educação e Trabalho” na Universidade Estadual de Campinas, S. P., e aprendi com a pesquisadora francesa Daniéle Linhart que a precarização subjetiva tem sido uma das causas dos altos índices de suicídios no trabalho na França. Durante as passeatas que acontecem nas ruas ouve-se: “não suportamos mais trabalhar”. Isto é, o nível de exploração da mais-valia pelo capitalismo histórico tornou-se brutal e mortal. Diz C. Dejours que o trabalho não significa unicamente alienação, pois é uma atividade humana fundamental. Atrás da crise atual, provocada pelo aumento da precarização objetiva e subjetiva do trabalho, esconde-se uma crise de identidade humana. O ser humano pode realizar-se no trabalho assim como no amor, ou seja, constituir e reconstituir sua identidade. Mas a gestão capitalista repousa na ameaça ininterrupta à subjetividade dos assalariados. Até escolas, universidades e hospitais do estado têm utilizado a lógica produtivista do capital tais como a terceirização e a gestão de pessoas por meio do medo (flexploração), estas mudanças engendram uma nova forma de sofrimento, o sofrimento ético. Muitos gestores e colegas de trabalho comprometem-se com a banalização da injustiça social. A onda de suicídios leva a França a discutir a perversa cultura da privatização da economia. Após os 25 suicídios de funcionários e 15 tentativas na France Télécom, em apenas 20 meses, o governo fixou um prazo para que as empresas adotem medidas contra o estresse. Lembremos que a Télécon foi privatizada em 2004, as políticas comerciais agressivas baseadas na rentabilidade e nas vendas destruíram a identidade de caráter público dos funcionários. A juventude do MJCF diz que luta contra os “ DESTRUIDORES DO FUTURO”.

Felipe Luiz Gomes e Silva. felipeluizgomes@terra.com.br