Para fomentar o debate, reproduzimos um fragmento do livro: A crise estrutura do capital - Istvan Mészáros, pg 51:
"(...) A sociedade "afluente" transformou-se na sociedade de "efluência" asfixiante, e a alegada onipotência tecnológica nem seque foi capaz de debelar a invaão dos ratos nas deprimentes favelas dos guetos negros. Nem mesmo a religião da odisséia no Espaço sentiu-se melhor, em que pesem os investimentos astronômicos que exigiu. (...)
Na imagem da onipotência tecnológica, é agora recomposta e novamente apresentada sob o disfarce do "interesse ecológico" universal. Há dez anos a ecologia podia ser tranquilamente ignorada ou desqualificada como totalmente irrelavante. Agora, ela é obrigada a ser grotescamente desfigurada e exagerada de forma unilateral para que as pessoas - impressionadas o bastante com o tom cataclísmico dos sermões ecológicos - possam ser, com sucesso, desviadas dos candentes problemas sociais e políticos. Africanos, asiáticos e latino-americanos não devem se multiplicar como lhes aprouver, dado que o desequilibrio demográfico poderia resultar em "tensões ecológicas intoleráveis". Em termos claros, poderia por em risco a relação social de forças predominante. Da mesmo forma, as pessoas deveriam esquecer tudo sobre as cifras astronômicas despendidas em armamentos e aceitar cortes consideráveis em seu padrão de vida, de modo a viabilizar os custos da "recuperação do meio ambiente"; isto é, em palavras simples, os custos necessários à manutenção do atual sistema de expanção da produção de supérfluos.
O fato de o capitalismo lidar dessa forma - ou seja, a seu modo - com a ecologia não deveria provocar a mínima surpresa; seria quase um milagre se não fosse assim. No entanto, a manipulação dessa questão em benefício do "moderno Estado industrial" não significa que possamos ignorá-la. O problema é suficientemente concreto, independente do uso que dele se faça nos dias atuais.
Na verdade, o problema da ecologia é real já há algum tempo, ainda que, evidentemente, por razões inerentes à necessidade do crescimento capitalista, poucos tenham dado alguma atenção a ele.
(...)
Afirmar que os custos da despoluição de nosso meio ambiente devem ser cobertos, em ultima análise, pela comunidade, é ao mesmo tempo um óbvio lugar-comum e um sbterfúgio típico, ainda que os políticos que pregam sermão sobre essa questão acreditem haver descoberto a pedra filosofal. Obviamente, é sempre a comunidade dos produtores que cobre os custos de tudo. Mas o fato de dever sempre arcar com os custos não implica de modo algum que sempre o possa fazer. Certamente, dado o modo predominante de controle social alienado, podemos estar certos que a comunidade não será capaz de arcar com tais custo.
Além disso, sugerir que os custos já proibitivos devam ser cobertos por um "fundo" (com o excedente do crescimento) (...) numa época de crescimento zero, ao qual se juntam desemprego e inflação crescentes - é pior que a retórica vazia de Feurerbah. Isso para não mencionar os problemas ecológicos adicionais necessariamente inerentes ao crescente desenvolvimento capitalista.
(...)
E, finalmente, argumentar que "ciência e tecnologia podem solucionar todos os nossos problemas no longo prazo" é muito pior que acreditar em bruxas, já que tendenciosamente omite-se o devastador enraizamento social (capitalista) da ciência e da tecnologia atuais. Também nesse sentido, a questão central não se restringe a saber se empregamos ou não a ciência e tecnologia com a finalidade de resolver nossos problemas - posto que é óbvio que devemos fazê-lo -, mas se seremos capazes ou não de redirecioná-las radicalmente, uam vez que hoje ambas estão estreitamente determinadas e circunscritas pela necessidade da perpetuação do processo de maximização dos lucros.
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Página específica para a 3ª edição do curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade:
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Crise do Capital e Crise da Civilização Capitalista (aula: Estado e Políticas Públicas)
Prof. Dr. Adilson Marques Gennari – FCL/UNESP – Araraquara – SP
UFT – maio de 2009
PARTE I – capital e crise no pensamento clássico de Karl Marx
PARTE II – crise estrutural do capital
UFT – maio de 2009
PARTE I – capital e crise no pensamento clássico de Karl Marx
PARTE II – crise estrutural do capital
PARTE III – conclusões:
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PARTE I – Retomando O Capital de Karl Marx
Livro I – a mercadoria:
•O capital é uma relação social de dominação cujo eixo é a produção de mais-valia, ou seja, uma sociedade baseada na apropriação privada do trabalho coletivo.
•O sentido da sociedade do capital: acumulação pela acumulação
•Redução dos homens a mercadorias = desumanização
•Fetichismo da mercadoria: o metafísico torna-se real e o real metafísico (Marx/Kurz)
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Livro II – rotação do K e a crise:
•Reprodução ampliada do capital:
•D – M ........P........M´- D´
•Na crise interrompe-se a rotação do capital:
•D – M .......P .......M´ \ D´
→ crise = superprodução de capital→ a crise requer destruição de parte do capital super-acumulado para a retomada da acumulação em bases lucrativas
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Livro III – O capital financeiro:
•O capital torna-se eminentemente financeiro:
•(D ) – D - M.........P........M´ - D´ (-D´)
•O capital fictício avoluma-se
•O capital fictício está ligado por fios invisíveis ao capital real: está relacionado com a produção de mercadorias reais produzidas por trabalho abstratos dos trabalhadores reais.
•O capital fictício distancia-se permanentemente do capital real
•Na crise o capital fictício tem que se ver com o capital real (as vendas despencam, as bolsas entram em transe, falências e concordatas, busca de liquidez e corrida por ativos mais sólidos [ouro, dólares, euros, títulos do governo dos EUA]
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PARTE II – Crise Estrutura do Capital
•As novas “corporações de escopo” tem na esfera financeira seu locos privilegiado para a acumulação do capital
•Na atual fase o capital é fundamentalmente financeiro
•Crise do capital financeiro:
(D) - D – M .......P .......M´ \ D´ (D´)
•A nova corporação fundiu os setores sob a égide do capital financeiro
•Queima da pletora de capital que se distanciou. O capital fictício é fictício, pois distanciado da base real (trabalho produtivo).
•A crise se revela como queima de capital fictício
•Surgimento de novo exército industrial de reserva (nova pobreza (miséria) e desemprego crônico)
Na atual crise estrutural:
1. As forças produtivas são forças destrutivas
2. Surge um “novo” exército industrial de reserva
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1. As forças produtivas são forças destrutivas
•Guerra permanente
•Crise industrial (falências e concordatas seguidas de fusões e aquisições)
•Centralização e concentração do capital global
•Violência generalizada e criminalização da pobreza
•Crise dos alimentos (elevação dos preços)
•Epidemias (câncer, pólio, desidratação, dengue etc)
•Trangênicos: animais, alimentos e plantas geneticamente modificados
•Aquecimento global, falta de água potável
•Taxa decrescente de uso/obsolescência planejada
•Aumento da rotação do capital
•Guerra permanente
•Crise industrial (falências e concordatas seguidas de fusões e aquisições)
•Centralização e concentração do capital global
•Violência generalizada e criminalização da pobreza
•Crise dos alimentos (elevação dos preços)
•Epidemias (câncer, pólio, desidratação, dengue etc)
•Trangênicos: animais, alimentos e plantas geneticamente modificados
•Aquecimento global, falta de água potável
•Taxa decrescente de uso/obsolescência planejada
•Aumento da rotação do capital
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2. Surge um “novo” exército industrial de reserva
•Superexploração global do trabalho
•Desemprego massivo e duradouro
•Escravos, trabalhadores informais, desempregados de longa duração, “inúteis”, “vagabundos”, “marginais”, “autônomos” etc.
•Hiperperiferia como característica urbana
•Violência generalizada e criminalização da pobreza
•Miséria crescente (as políticas focadas {bolsa-família, etc) são políticas justificadoras e institucionalizadoras da pobreza, da miséria e do status quo).
•Superexploração global do trabalho
•Desemprego massivo e duradouro
•Escravos, trabalhadores informais, desempregados de longa duração, “inúteis”, “vagabundos”, “marginais”, “autônomos” etc.
•Hiperperiferia como característica urbana
•Violência generalizada e criminalização da pobreza
•Miséria crescente (as políticas focadas {bolsa-família, etc) são políticas justificadoras e institucionalizadoras da pobreza, da miséria e do status quo).
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PARTE III - Conclusões
a. Estamos numa crise estrutural da civilização do capital
b. O capital é incontrolável e destrutivo (Mészárós)
c. Crise da civilização do capital = a própria existência da humanidade está em jogo.
b. O capital é incontrolável e destrutivo (Mészárós)
c. Crise da civilização do capital = a própria existência da humanidade está em jogo.
d. DESTRUIÇÃO DA TERRA
e. DESEMPREGO ESTRUTURAL
--> Não há soluções plausíveis para a crise dentro da lógica sócio-metabólica do capital.
--> Etapa histórica da barbárie do capital (crise econômica, crise política, crise ética, crise ambiental, crise social etc).
--> Etapa histórica da barbárie do capital (crise econômica, crise política, crise ética, crise ambiental, crise social etc).
LOGO: Somente a substituição da atual sociedade produtora de mercadorias e mais-valia por outra sociedade, produtora de bens para a satisfação das necessidades humanas, pode apontar um caminho que confronte a atual barbárie do capital .
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