Páginas Vinculadas

Página específica para a 3ª edição do curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade:

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Em quem não votar: políticos com acusações

M QUEM NÃO VOTAR




Você pode classificar por nome, cargo, partido e acusação.

ID
NOME
CARGO
PARTIDO
ACUSAÇÃO OU CRIME A QUE RESPONDE
1
ABELARDO LUPION;
Deputado;
PFL-PR;
Sonegação Fiscal;
2
ADEMIR PRATES
Deputado
PDT-MG
Falsidade Ideológica
3
AELTON FREITAS
Senador
PL-MG
Crime de Responsabilidade e Estelionato
4
AIRTON ROVEDA
Deputado
PPS-PR
Peculato
5
ALBÉRICO FILHO
Deputado
PMDB-MA
Apropriação Indébita
6
ALCESTE ALMEIDA
Deputado
PTB-RR
Peculato e Formação de Quadrilha, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
7
ALEX CANZIANI
Deputado
PTB-PR
Peculato
8
ALMEIDA DE JESUS
Deputado
PL-CE
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
9
ALMIR MOURA
Deputado
PFL-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
10
AMAURI GASQUES
Deputado
PL-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
11
ANDRÉ ZACHAROW
Deputado
PMDB-PR
Improbidade Administrativa
12
ANÍBAL GOMES
Deputado
PMDB-CE
Improbidade Administrativa
13
ANTERO PAES DE BARROS
Senador
PSDB-MT
Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha
14
ANTÔNIO CARLOS PANNUNZIO
Deputado
PSDB-SP
Crime de Responsabilidade
15
ANTÔNIO JOAQUIM
Deputado
PSDB-MA
Improbidade Administrativa
16
BENEDITO DE LIRA
Deputado
PP-AL
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
17
BENEDITO DIAS
Deputado
PP-AP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
18
BENJAMIN MARANHÃO
Deputado
PMDB-PB
Crime Eleitoral
19
BISPO WANDERVAL
Deputado
PL-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
20
CABO JÚLIO (JÚLIO CÉSAR GOMES DOS SANTOS)
Deputado
PMDB-MG
Crime Militar, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
21
CARLOS ALBERTO LERÉIA
Deputado
PSDB-GO
Lesão Corporal
22
CELSO RUSSOMANNO
Deputado
PP-SP
Crime Eleitoral, Peculato e Agressão
23
CHICO DA PRINCESA (FRANCISCO OCTÁVIO BECKERT)
Deputado
PL-PR
Crime Eleitoral
24
CIRO NOGUEIRA
Deputado
PP-PI
Crime Contra a Ordem Tributária e Prevaricação
25
CLEONÂNCIO FONSECA
Deputado
PP-SE
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
26
CLÓVIS FECURY
Deputado
PFL-MA
Crime Contra a Ordem Tributária
27
CORIALANO SALES
Deputado
PFL-BA
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
28
DARCÍSIO PERONDI
Deputado
PMDB-RS
Improbidade Administrativa
29
DAVI ALCOLUMBRE
Deputado
PFL-AP
Corrupção Ativa
30
DILCEU SPERAFICO
Deputado
PP-PR
Apropriação Indébita
31
DOUTOR HELENO
Deputado
PSC-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
32
EDSON ANDRINO
Deputado
PMDB-SC
Crime de Responsabilidade
33
EDUARDO AZEREDO
Senador
PSDB-MG
Improbidade Administrativa
34
EDUARDO GOMES
Deputado
PSDB-TO
Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
35
EDUARDO SEABRA
Deputado
PTB-AP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
36
ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO
Deputado
PRONA-SP
Falsidade Ideológica
37
EDIR DE OLIVEIRA
Deputado
PTB-RS
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
38
EDNA MACEDO
Deputado
PTB-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
39
ELAINE COSTA
Deputada
PTB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
40
ELISEU PADILHA
Deputado
PMDB-RS
Corrupção Passiva
41
ENIVALDO RIBEIRO
Deputado
PP-PB
Crime Contra a Ordem Tributária, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
42
ÉRICO RIBEIRO
Deputado
PP-RS
Crime Contra a Ordem Tributária e Apropriação Indébita
43
FERNANDO ESTIMA
Deputado
PPS-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
44
FERNANDO GONÇALVES
Deputado
PTB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
45
GARIBALDI ALVES
Senador
PMDB-RN
Crime Eleitoral
46
GIACOBO (FERNANDO LUCIO GIACOBO)
Deputado
PL-PR
Crime Contra a Ordem Tributária e Seqüestro
47
GONZAGA PATRIOTA
Deputado
PSDB-PE
Apropriação Indébita
48
GUILHERME MENEZES
Deputado
PT-BA
Improbidade Administrativa
49
INALDO LEITÃO
Deputado
PL-PB
Crime Contra o Patrimônio, Declaração Falsa de Imposto de Renda
50
INOCÊNCIO DE OLIVEIRA
Deputado
PMDB-PE
Crime de Escravidão
51
IRAPUAN TEIXEIRA
Deputado
PP-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
52
IRIS SIMÕES
Deputado
PTB-PR
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
53
ITAMAR SERPA
Deputado
PSDB-RJ
Crime Contra o Consumidor, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
54
ISAÍAS SILVESTRE
Deputado
PSB-MG
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
55
JACKSON BARRETO
Deputado
PTB-SE
Peculato e Improbidade Administrativa
56
JADER BARBALHO
Deputado
PMDB-PA
Improbidade Administrativa, Peculato, Crime Contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Dinheiro
57
JAIME MARTINS
Deputado
PL-MG
Crime Eleitoral
58
JEFERSON CAMPOS
Deputado
PTB-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
59
JOÃO BATISTA
Deputado
PP-SP
Falsidade Ideológica, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
60
JOÃO CALDAS
Deputado
PL-AL
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
61
JOÃO CORREIA
Deputado
PMDB-AC
Declaração Falsa de Imposto de Renda, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
62
JOÃO HERRMANN NETO
Deputado
PDT-SP
Apropriação Indébita
63
JOÃO MAGNO
Deputado
PT-MG
Lavagem de Dinheiro
64
JOÃO MENDES DE JESUS
Deputado
PSB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
65
JOÃO PAULO CUNHA
Deputado
PT-SP
Corrupção Passiva, Lavagem de Dinheiro e Peculato
66
JOÃO RIBEIRO
Senador
PL-TO
Peculato e Crime de Escravidão
67
JORGE PINHEIRO
Deputado
PL-DF
Crime Ambiental
68
JOSÉ DIVINO
Deputado
PRB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
69
JOSÉ JANENE
Deputado
PP-PR
Estelionato, Improbidade Administrativa, Lavagem de Dinheiro, Corrupção Passiva, Formação de Quadrilha, Apropriação Indébita e Crime Eleitoral
70
JOSÉ LINHARES
Deputado
PP-CE
Improbidade Administrativa
71
JOSÉ MENTOR
Deputado
PT-SP
Corrupção Passiva
72
JOSÉ MILITÃO
Deputado
PTB-MG
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
73
JOSÉ PRIANTE
Deputado
PMDB-PA
Crime Contra o Sistema Financeiro
74
JOVAIR ARANTES
Deputado
PTB-GO
Improbidade Administrativa
75
JOVINO CÂNDIDO
Deputado
PV-SP
Improbidade Administrativa
76
JÚLIO CÉSAR
Deputado
PFL-PI
Peculato, Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Falsidade Ideológica
77
JÚLIO LOPES
Deputado
PP-RJ
Falsidade Ideológica
78
JÚNIOR BETÃO
Deputado
PL-AC
Declaração Falsa de Imposto de Renda, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
79
JUVÊNCIO DA FONSECA
Deputado
PSDB-MS
Improbidade Administrativa
80
LAURA CARNEIRO
Deputada
PFL-RJ
Improbidade Administrativa e Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
81
LEONEL PAVAN
Senador
PSDB-SC
Contratação de Serviços Públicos Sem Licitação e Concussão
82
LIDEU ARAÚJO
Deputado
PP-SP
Crime Eleitoral
83
LINO ROSSI
Deputado
PP-MT
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
84
LÚCIA VÂNIA
Senadora
PSDB-GO
Peculato
85
LUIZ ANTÔNIO FLEURY
Deputado
PTB-SP
Improbidade Administrativa
86
LUPÉRCIO RAMOS
Deputado
PMDB-AM
Crime de Aborto
87
MÃO SANTA
Senador
PMDB-PI
Improbidade Administrativa
88
MARCELINO FRAGA
Deputado
PMDB-ES
Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
89
MARCELO CRIVELA
Senador
PRB-RJ
Crime Contra o Sistema Financeiro e Falsidade Ideológica
90
MARCELO TEIXEIRA
Deputado
PSDB-CE
Sonegação Fiscal
91
MÁRCIO REINALDO MOREIRA
Deputado
PP-MG
Crime Ambiental
92
MARCOS ABRAMO
Deputado
PP-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
93
MÁRIO NEGROMONTE
Deputado
PP-BA
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
94
MAURÍCIO RABELO
Deputado
PL-TO
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
95
NÉLIO DIAS
Deputado
PP-RN
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
96
NELSON BORNIER
Deputado
PMDB-RJ
Improbidade Administrativa
97
NEUTON LIMA
Deputado
PTB-SP
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
98
NEY SUASSUNA
Senador
PMDB-PB
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
99
NILTON CAPIXABA
Deputado
PTB-RO
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
100
OSMÂNIO PEREIRA
Deputado
PTB-MG
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
101
OSVALDO REIS
Deputado
PMDB-TO
Apropriação Indébita
102
PASTOR AMARILDO
Deputado
PSC-TO
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
103
PAULO AFONSO
Deputado
PMDB-SC
Peculato, Crime Contra o Sistema Financeiro e Improbidade Administrativa
104
PAULO BALTAZAR
Deputado
PSB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
105
PAULO FEIJÓ
Deputado
PSDB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
106
PAULO JOSÉ GOUVEIA
Deputado
PL-RS
Porte Ilegal de Arma
107
PAULO LIMA
Deputado
PMDB-SP
Extorsão e Sonegação Fiscal
108
PAULO MAGALHÃES
Deputado
PFL-BA
Lesão Corporal
109
PEDRO HENRY
Deputado
PP-MT
Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Corrupção Passiva, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
110
PROFESSOR IRAPUAN
Deputado
PP-SP
Crime Eleitoral
111
PROFESSOR LUIZINHO
Deputado
PT-SP
Lavagem de Dinheiro
112
RAIMUNDO SANTOS
Deputado
PL-PA
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
113
REGINALDO GERMANO
Deputado
PP-BA
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
114
REINALDO BETÃO
Deputado
PL-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
115
REINALDO GRIPP
Deputado
PL-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
116
REMI TRINTA
Deputado
PL-MA
Estelionato e Crime Ambiental
117
RIBAMAR ALVES
Deputado
PSB-MA
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
118
RICARDO BARROS
Deputado
PP-PR
Sonegação Fiscal
119
RICARTE DE FREITAS
Deputado
PTB-MT
Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
120
RODOLFO TOURINHO
Senador
PFL-BA
Gestão Fraudulenta de Instituição Financeira
121
ROMERO JUCÁ
Senador
PMDB-RR
Improbidade Administrativa
122
ROMEU QUEIROZ
Deputado
PTB-MG
Corrupção Ativa, Corrupção Passiva e Lavagem de Dinheiro
123
RONALDO DIMAS
Deputado
PSDB-TO
Crime Eleitoral
124
SANDRO MABEL
Deputado
PL-GO
Crime Contra a Ordem Tributária
125
SUELY CAMPOS
Deputada
PP-RR
Crime Eleitoral
126
TATICO (JOSÉ FUSCALDI CESÍLIO)
Deputado
PTB-DF
Crime Contra a Ordem Tributária, Declaração Falsa de Imposto de Renda e Sonegação Fiscal
127
TETÉ BEZERRA
Deputado
PMDB-MT
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
128
THELMA DE OLIVEIRA
Deputada
PSDB-MT
Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha
129
VADÃO GOMES
Deputado
PP-SP
Improbidade Administrativa e Crime Contra a Ordem Tributária
130
VALDIR RAUPP
Senador
PMDB-RO
Peculato, Uso de Documento Falso, Crime Contra o Sistema Financeiro, Crime Eleitoral e Gestão Fraudulenta de Instituição Financeira
131
VALMIR AMARAL
Senador
PTB-DF
Apropriação Indébita
132
VANDERLEI ASSIS
Deputado
PP-SP
Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
133
VIEIRA REIS
Deputado
PRB-RJ
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
134
VITTORIO MEDIOLI
Deputado
PV-MG
Sonegação Fiscal
135
WANDERVAL SANTOS
Deputada
PL-SP
Corrupção Passiva
136
WELLINGTON FAGUNDES
Deputada
PL-MT
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
137
ZÉ GERARDO
Deputado
PMDB-CE
Crime de Responsabilidade fiscal

138
ZELINDA NOVAES
Deputada
PFL-BA
Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
139
Ângela Guadagnin
Deputada
PT-SP
Dançarina do Plenário da Câmara, comemorando absolvição de corrupto
140
Antônio Palocci
Ex-Ministro
PT-SP
Quebra de Sigilo Bancário
141
Carlos Rodrigues
Ex-Deputado
PL-RJ
Bispo Rodrigues
142
Delúbio Soares
Tesoureiro
PT-GO
Ex Tesoureiro do PT
143
José Dirceu
Ex-Deputado
PT-SP
Coordenador do Mensalão
144
José Genoíno
Ex-Deputado
PT-SP
Mensalão, Dólares na Cueca
145
José Nobre Guimarães
Deputado Est.
PT-CE
Dólares na Cueca (Agora Candidato a Dep. Federal)
146
Josias Gomes
Deputado
PT-BA
Mensalão, CPI dos Correios
147
Luiz Gushiken
Ex-Ministro
PT-SP
CPI dos Correios
148
Paulo Salim Maluf
Ex
PPB-SP
Corrupção, Falcatruas, Improbidade Administrativa, Desvio de Dinheiro Público, Lavagem de dinheiro
149
Paulo Pimenta
Deputado
PT-RS
Compra de Votos, Mensalão, CPI Correios
150
Pedro Corrêa
Ex-Deputado
PP-PE
Cassado em associação ao Escândalo do Mensalão, Compra de Votos
151
Roberto Brant
Deputado
PFL-MG
Crime Eleitoral, Mensalão, CPI Correios
152
Roberto Jefferson
Ex-Deputado
PTB-RJ
Mensalão
153
Severino Cavalcanti
Ex-Deputado
PP-PE
Escândalo do Mensalinho (Renuncio para evitar a cassação)
154
Silvio Pereira
SecretárioPT
PT
Mensalão
155
Valdemar Costa Neto
Exc-Deputado
PL-SP
Mensalão (renunciou para evitar a cassação)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

AS VEIAS DA AMÉRICA LATINA CONTINUAM ABERTAS.


(Inspirado no clássico livro do latino- americano Eduardo Galeano)




A exploração da força de trabalho e a destruição da natureza estão no DNA do capital, dizer que o capitalismo é selvagem é pura redundância. Tolice, bobagem!

Todos sabem que a classe obreira é superexplorada pelo capital e a atual política econômica subordinada à agiotagem capitalista mundial é um problema estrutural. Os chamados bóias-frias morrem de exaustão por overdose de trabalho (karoshi no Japão) executando cerca de 8.700 golpes de podão para cortar mais de 8 toneladas cana/dia, são as teleoperadoras multifuncionais de telemarketing que cumprem sua tarefa padrão em um tempo médio de operação de 29 segundos prisioneiras da tensão e de remédios de tarja preta, são as catadoras de rebotalhos ou resíduos sólidos estimuladas a coletar 100 toneladas de lixo por mês etc.

Quantas candidatas e candidatos a presidente, deputados, senadores defendem a soberana Auditoria Cidadã da “Dívida” Pública? Rafael Correa, Presidente do Equador, defendendo a soberania do seu país realizou a auditoria e declarou suspensão unilateral do pagamento da “dívida”, a sangria foi estancada. O governo atual diz que a nossa Pátria está livre da dívida externa. Não é verdade! O governo fez uma comparação entre o estoque da dívida externa, os 282 bilhões de dólares, separando as partes públicas e privadas dessa dívida. Só a parte da “dívida” pública já supera 230 bilhões de dólares. Se somarmos a “dívida interna” com a” externa” chegaremos a mais de 3 trilhões de reais. No último ano os gastos com a “dívida” (juros de agiotas) foram de 380 bilhões de reais, o que correspondeu a 36% de todo Orçamento da União, um dos piores impostos, não há retorno.

Enquanto isto foram destinados 4,8% para saúde e 2, 8% para educação. Quanto desperdício de energia da classe proletária que trabalha para pagar uma “dívida” que já foi paga várias vezes. Sem falar das remessas de lucros das transnacionais aqui fincadas.

Que horror! Ainda mais, recentemente, o governo anunciou um corte de 10 bilhões de reais nos gastos públicos. As investigações da CPI da “dívida” apuraram que seu crescimento é meramente de juros sobre juros, uma injusta apropriação do suor da classe obreira. Sabiam que os títulos da “dívida interna” brasileira pagam os maiores juros do mundo!Antes destruíram o nosso pau-brasil, carregaram a borracha, o algodão mocó do nordeste, os minérios etc.

O Brasil transformou-se no destino de grandes especuladores internacionais que buscam alta rentabilidade, isenção tributária e total liberdade para explorar a classe obreira.

Isto é a nossa democracia republicana! Só ano passado gastamos mais de UM BILHÃO de reais de juros por dia em função da “dívida” pública. Já imaginaram se os recursos fossem aplicados na saúde, na educação e na habitação dos munícipes.

Não existe desenvolvimento local sem soberania nacional! E juro sobre juro caracteriza anatocismo (abuso extremo) que foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal e considerado totalmente ILEGAL. Pátria Livre Brasil!?

Por que a mídia não convida o intelectual Plínio Arruda, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo e Maria Fattorelli para um debate. Eles elucidariam estas questões para o povo brasileiro E quem manda no Ministério das Cidades? Por que o programa “Minha Casa, Minha Vida” foi “decidido” pelo governo federal e por um grupo de 11 capitalistas “generosos”, os maiores da construção civil de promoção imobiliária? As candidatas e quase todos os candidatos a presidente dizem que avançarão a atual política econômica.

O Brasil precisa de uma reforma estrutural profunda que passa pela Auditoria da “Dívida”, Reforma Agrária profunda, Distribuição de Renda de fato, saúde e educação pública de qualidade. Cerca de 48 milhões vivem da bolsa migalha!
Fonte: www.averdade.org.br.

Felipe Luiz Gomes e Silva- felipeluizgomes@terra.com.br,

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Grão no Mar de Milagres

Eu queria escrever uma mensagem que fosse UNIVERSAL, porque assim ela chegaria a um maior número de pessoas. Talvez, eu pudesse escrever algo COMPLEXO, cheio de termos rebuscados e rico em conteúdos teóricos. Ou quem sabe esta mensagem não deveria ser SIMPLES, de tal forma que fizesse com que seu principal objetivo fosse cumprido? O certo é que “como, quando, porque, onde e a quem” ela vai chegar... Isso veremos.

Queridos amigos, o fato é que quando algo de muito bom vem acontecendo com a gente, é preciso fazê-lo ser conhecido e reconhecido.



“Estou num quarto fechado,

frio, sombrio, isolado.

Estou anestesiada e mal consigo abrir os olhos.

Algo estranho acontece, mas ainda não sei explicar o quê”.



Você já imaginou como essa mensagem poderia ter um fim dramático se ela tivesse continuado a ser escrita? E se eu dissesse, então, que...



“Uma grande festa estava acontecendo naquele lugar, que o quarto era, na verdade, um salão amplo, iluminado e colorido?”



Talvez você perdesse seu interesse pelo texto, não é?



Pergunto-me porque nós, seres humanos, temos essa tendência a valorizar as grandes dores, o sofrimento, o drama?



Sabe qual a parte mais chata do câncer? Ter que viver, dentro e fora dos nossos lares o drama de PARECER doente, CARECA (mesmo sem estar), porque a sociedade assim exige e sem que necessariamente ou verdadeiramente nos sintamos doentes.



Será que, talvez, não é mais uma marca que carregamos após o homem, em sua estupidez, se deixar levar pelo pecado original de Eva e Adão?



Estamos doentes? Qual é a nossa doença?



É desgastante saber que se está vivendo um momento pleno e ter que fazer “cara de choro”. É cansativo saber que se está diante de uma Grande e Bela Oportunidade, mas que o mundo nos entende melhor se ela for encarada como a Grande e Difícil Tristeza. Sob esse ângulo, o título dessa mensagem devesse ser substituído de “Um grão no mar de milagres” para “Minha luta contra o câncer”.



Amigos, se eu pudesse entregar-lhes numa gota translúcida o meu coração, minha alma e porque não, todo o meu ser, vocês veriam: o drama ficou pra trás e dentro de mim o que se constrói, a cada segundo que tenho passado durante este tratamento se resume em graça divina. Imaginem um ser que se sente “visitado” por inteiro, que se sente lavado dos pés a cabeça! Mas pensem numa faxina “geral”! Isso é o mínimo que eu posso dizer sobre o que eu tenho ganhado de Deus nesses dias, que mais parecem séculos e séculos.

Como sairei dessa faxina? Eu ainda não tenho a resposta, ou talvez, eu nunca mais precise de respostas exatas, mas pra você, meu amigo, eu posso e Deus Quer e Precisa que eu tente dizer.

Sinto-me, acima de tudo, tocada por Ele, plena da Sua existência e do Seu amor incondicional, leve por me sentir amada e certa de que minhas lágrimas foram cuidadosamente enxugadas, de tal forma que é impossível não arrepiar toda a espinha e todos os fios de cabelo ao tentar descrever Tal Beleza. Mal consigo sentir as dores físicas, como se elas nunca tivessem existido.

Como se não bastasse, ganhei, ainda, a alegria de viver, a gratidão pelo recomeço, a certeza de um novo olhar diante do mundo, mais tempo com meus pequenos grandes filhos, a reconstrução e união de toda minha família.

Sabe quem me deu isso tudo? Acho que não preciso repetir.

Posso, portanto, chamar esse processo de “tratamento de uma doença”? Não. Doente eu estava antes.

Fiquei doente quando deixei que “falta de tempo” justificasse tudo o que eu não fiz, não busquei, não enxerguei, não conquistei. Eu estava doente quando transportei minhas deficiências para os outros. Fui adoecendo a cada momento em que abri minha boca para julgar alguém, a quem hoje considero um amigo, irmão. Eu estava doente de tantas coisas! Se fosse elencá-las, a lista seria enorme! Lembra do que falávamos há pouco sobre a afinidade do ser humano com o drama? Só que eu não quero mais perder tempo com isso.

Meus defeitos? Muitos persistirão, mas levarei, igualmente, minha CONSCIÊNCIA sobre eles, afinal MEUS OLHOS FORAM ABERTOS!

Não pensem, contudo, que sou ou serei uma das poucas pessoas a viverem essa experiência. Todos nós estamos aptos a viver este MILAGRE, embora uma grande maioria não DESEJE enxergá-lo. A relação com Deus exige, sobretudo, a VERDADE.

Amigos, por fim, peço que não confundam essa mensagem com fanatismo religioso. Quem me conhece sabe que de RELIGIOSA não tenho NADA! Também não pensem que ela visa referenciar nenhuma igreja, porque IGREJA, pra mim, NÃO é a instituição que o HOMEM criou. A IGREJA SOMOS NÓS! Nós somos o VERDADEIRO TEMPLO DE DEUS!

Se ao final dessa mensagem eu conseguir, por meio de palavras que, em verdade, ELE ESCREVEU, tocar, mesmo suavemente UM, apenas UM coração, essa mensagem estará completa. Afinal, saberemos que uma nova igreja estará sendo semeada e um novo ser humano construído. O mundo precisa disso e nossas famílias também, seja qual for nossa religião ou nossa congregação.

UM é um número que diz muito e pouco ao mesmo tempo:



“Se eu tentar seguir sozinha, ainda sim, serei uma nova pessoa.

Mas, porque não ser UM GRÃO NO MAR DE MILAGRES”.

Juliana Lovis

domingo, 15 de agosto de 2010

Debate na UFT: Plesbicito Popular sobre o Limite da Propriedade Rural



Debate na UFT para discutir o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra

19/08 - Quinta feira - No anfiteatro 1, bloco D, às 19:30 horas



Fortaleçam as instituições de democracia direta com a sua participação efetiva

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Rigidez do Financiamento do Orçamento - Causas e Conseqüências

A rigidez orçamentária é um fator que restringe a liberdade de ação alocativa de um governante, limitando as suas possibilidades de escolha política e/ou gerencial de caminhos alternativos para a obtenção dos objetivos econômicos e sociais esperados pela população.
Podemos citar a rigidez em relação à Receita resultante de impostos. Há vinculação direta, ex: Contribuições de intervenção no domínio econômico; vinculação indireta à arrecadação, ex: Educação: 25 % da arrecadação deve ser destinada ao setor educacional; gastos com Saúde, estes crescem com o PIB nominal: 12 % do produto da arrecadação de impostos estaduais; e vinculação pela não arrecadação, ex: Renúncias de receitas (incentivos fiscais, desonerações setoriais).
As causas dessas rigidezes estão ligadas a economia política do orçamento: quais os incentivos aos agentes e quais suas reações? O parlamento não é associado à situação macroeconômica, os políticos ganham notoriedade como “pai” da vinculação e, portanto, do setor beneficiado; há as disputas por recursos dentro do Governo e ainda prevalece a desconfiança nos seus sucessores.
Outras causas podem ser os ciclos econômicos e suas influências no processo orçamentário, quando estes ciclos incitam a criação de novas rigidezes pela facilidade de incluir novas obrigações sem alterar a carga tributária e por último o ajuste fiscal e as contribuições. No Brasil a legislação gerou efeitos ambíguos: em uma situação de crise em que a área econômica dominava a cena impondo flexibilização do orçamento e o ajuste fiscal, a legislação obrigou a elevação do grau de vinculação para viabilizar alguns setores do governo, como o setor da Saúde e Educação.
As conseqüências da rigidez podem ser positivas ou negativas. Positivas: Dá previsibilidade ao gestor, ou seja, possibilita um melhor planejamento de intervensões; gera incentivos privados devido ao investimento assegurado na área; permite políticas de longo prazo e neutraliza flutuações de financiamento devido à condicionantes políticas de curto prazo.
Negativas: “Corrida” pelo financiamento; o “jogo” é: quem conseguir a proteção orçamentária primeiro, ganha, quem não conseguir pode ser inviabilizado; áreas/itens fundamentais de gasto são relegados e podem gerar graves conseqüências, inclusive para as áreas protegidas (ex: despesas meio x despesas fim); impossibilidade de ajustes de políticas no tempo; dificuldade de financiar novas iniciativas; aumento da carga tributária além de incentivo à ineficiência setorial.
Em suma, o fenômeno do “engessamento” do orçamento uniformiza as administrações e reduz a possibilidade de mudança nas prioridades, especialmente em épocas de crise, também impossibilita reduções na carga tributária com manutenção de controle fiscal e impede um ajuste fiscal de qualidade.
A rigidez de gasto restringe a possibilidade de empregar os recursos e limita o horizonte de planejamento do Governo.


GLÓRIA, Cléia Azevedo
Especializanda em Gestão Pública e Sociedade
Universidade Federal do Tocantins

domingo, 8 de agosto de 2010

Governo avança no modelo de universidade subordinado ao Banco Mundial

Retirado do Correio da Cidadania: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4901/9/


Escrito por Valéria Nader
05-Ago-2010



Com exígua divulgação pela mídia, especialmente pelos grandes veículos, foi há alguns dias anunciado pelo governo o ‘Pacote de Autonomia Universitária’, através da MP 435/2010 e dos Decretos de nº. 7232, 7233 e 7234.



Esta é mais uma das medidas do governo Lula que, a partir de um olhar raso, pode levar às tão corriqueiras críticas dos setores mais conservadores, ressaltando uma suposta maior participação do Estado na economia, com conseqüente desperdício de recursos públicos. Conclusão a que estes setores chegariam com muita previsibilidade, uma vez incluídas em tal pacote medidas destinadas a contemplar parcialmente demandas estudantis e a, aparentemente, prover as universidades federais com maiores dotações orçamentárias.



Essas ilações não resistiriam, no entanto, a uma avaliação um pouco mais consistente, a qual faria emergir uma realidade oposta às conclusões restritas à abordagem fiscalista. Realidade ao mesmo tempo muito reveladora de um governo que, sob a aparência e a marca repisada da busca por justiça social, caminha muito sorrateiramente na consagração e aprofundamento do status quo, na imensa maioria de suas áreas de atuação.



E o que significa tal consagração e aprofundamento para o tema em questão, o chamado pacote de autonomia universitária? Ao contrário do que sugere o título do pacote, caminha-se no sentido oposto, em irrefutável rota de colisão relativamente à autonomia universitária. Institucionalizam-se as fundações privadas como lócus privilegiado para a gestão administrativa e financeira das universidades, através do famoso mecanismo das Parcerias Público Privadas, que nada mais são do que um artifício para a continuidade da privatização disfarçada do patrimônio público.



Roberto Leher, professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nosso entrevistado especial, aprofunda a seguir sua visão sobre o novo pacote, associando-o à conjuntura econômica e política de um país que tem aprofundado sua inserção subordinada na economia mundial.



Correio da Cidadania: Como analisa o ‘pacote da autonomia universitária’ anunciado pelo governo através da MP 435/2010 e dos Decretos de nº. 7232, 7233 e 7234?



Roberto Leher: Como bem apontado pela pergunta, estamos diante de um pacote de medidas ditas sobre a autonomia universitária. Não me alinho às correntes da educação que sustentam que o melhor método de análise de um instrumento normativo é a sua leitura artigo a artigo, separando nos braços da balança o que pode ser bom e o que pode ser preocupante. Penso que esses instrumentos devem ser lidos a partir do conjunto de leis e de outros ordenamentos e que o trabalho do pesquisador é buscar as principais linhas de força desses instrumentos. Neste prisma, o pacote possui uma nervura central: a associação entre a autonomia, as fundações privadas ditas de apoio e os objetivos da Lei de Inovação Tecnológica.



Em síntese, o pacote é constituído pela Medida Provisória nº. 495, que dispõe sobre as compras governamentais e adapta a Lei nº. 8.958/94 sobre Fundações ditas de apoio às recomendações de um Acórdão do TCU sobre as ilegalidades das mencionadas Fundações; pelo Decreto nº. 7.232, que dispõe sobre a lotação de cargos de técnico-administrativos; pelo Decreto nº. 7.233, que dispõe sobre procedimentos orçamentários e financeiros relacionados à autonomia universitária; e pelo Decreto nº. 7.234, que dispõe sobre o Programa Nacional de Assistência Estudantil – PNAES. Este último instrumento, por contemplar parcialmente demandas defendidas pelas entidades estudantis, parece ser uma cereja no bolo do pacote para atenuar a mobilização estudantil.



Claro que, em função da abrangência dessas medidas, estudos mais sistemáticos são imprescindíveis, mas gostaria de tecer alguns comentários sobre a MP 435/10 – o instrumento que serve de matriz ao Decreto nº. 7.233 e, mais amplamente, à concepção de autonomia universitária do governo Lula da Silva, concepção fundamentalmente neoliberal, mas com temperos neodesenvolvimentistas. Pode parecer uma contradição falar em neodesenvolvimentismo referenciado pelo neoliberalismo. Mas penso que não.  O neoliberalismo é uma ideologia que permite o manejo político e econômico de um determinado padrão de acumulação que Harvey denominou como "acumulação por despossessão". Prefiro a conceituação de Florestan sobre o capitalismo dependente. O que importa aqui é o padrão de acumulação. Nesse sentido, digo que a autonomia é pensada nos marcos neoliberais, pois preconiza o estabelecimento de vínculos com o capital, pouco importando que o Estado seja um indutor dessa relação, visto que, como demonstrou Polanyi, não existe mercado sem Estado.



Correio da Cidadania: E quais são os pontos mais substanciais da MP 435 nesse sentido?



Roberto Leher: Vejamos alguns pontos nodais da MP 435. Em linhas gerais, ela trata dos acordos sobre compras governamentais, um dos itens mais sensíveis dos tratados de livre comércio. A medida admite que as compras governamentais estarão nos TLC, inicialmente com o MERCOSUL, mas explicita que é válida também nos futuros acordos comerciais (como o que está em curso entre a União Européia e o MERCOSUL, por exemplo). Neste caso, pode haver incentivos diferenciados do Estado aos parceiros comerciais do bloco. É possível prever que, no futuro, acordos com países europeus poderão resultar em inequívocos benefícios às corporações européias em matéria de C&T, ampliando a heteronomia cultural, científica e tecnológica do país. A partir desses balizamentos, a MP focaliza a relação entre as universidades, as fundações de apoio e a lei de inovação tecnológica.



A MP normatiza as parcerias público-privadas no âmbito das universidades, nos termos da Lei Inovação Tecnológica.  A MP institucionaliza as fundações privadas como loci da "gestão administrativa e financeira" dessas parcerias. Tendo em vista que há anos as universidades funcionam por programas e projetos, é possível aduzir que o alcance dessa MP é extraordinário: "entende-se por desenvolvimento institucional os programas, projetos, atividades e operações especiais, inclusive de natureza infra-estrutural, material e laboratorial, que levem à melhoria mensurável das condições das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) e das ICTs, para cumprimento eficiente e eficaz de sua missão, conforme descrita no plano de desenvolvimento institucional". Ou seja, todos os programas e projetos de pesquisa cabem aqui! A referida MP cumpre um papel indutor desse modelo de pesquisa subordinado às PPP, posto que, doravante, as Fundações de Apoio devem estar direcionadas para a mediação privada da chamada inovação tecnológica.



Com a MP, as fundações de apoio podem se tornar o centro de gravidade de toda política de pesquisa da universidade, desde que mediadas por contratos de PPP. Assim, pela MP, as fundações podem remunerar os professores e estudantes de pós-graduação e graduação engajados no empreendedorismo acadêmico por meio de bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão e podem utilizar-se de bens e serviços das IFES e ICTs contratantes. A MP sustenta também que todo aparato de C&T (FINEP, CNPq e as Agências Financeiras Oficiais de Fomento) poderá realizar convênios e contratos diretamente com as fundações (ditas) de apoio.



O Decreto que se refere diretamente sobre a autonomia universitária (Dec. nº. 7.233) é complementar à MP. O Decreto permite que recursos não utilizados em um exercício possam ser aplicados no exercício subseqüente, desde que na mesma rubrica, uma antiga reivindicação da comunidade universitária, mas vai muito além disso. Com efeito, o Decreto busca normatizar o "reforço de dotações orçamentárias", em particular "o excesso de arrecadação de receitas próprias, de convênios e de doações do exercício corrente" e o "superávit financeiro de receitas próprias, de convênios e de doações". O Decreto pretende institucionalizar a busca de receitas próprias e, nesse sentido, deturpa o sentido da autonomia constitucional que determina a "autonomia de gestão financeira" e não a autonomia financeira das universidades. Ora, a busca de receitas próprias está inscrita na recomendação bancomundialista de que as universidades devem buscar mecanismos para o seu autofinanciamento crescente e é isso que o governo Lula da Silva está pretendendo com o pacote.



Ademais, o referido Decreto aperta o nó entre o financiamento e a avaliação produtivista, determinando que a avaliação de desempenho (SINAES/ CAPES) é uma das variáveis a ser considerada na definição do montante de recursos de cada uma das IFES.



Correio da Cidadania: Em sua opinião, que medidas deveria tomar um governo realmente comprometido com a autonomia universitária?



Roberto Leher: Creio que já explicitei que avalio o pacote como um conjunto de instrumentos nocivo à autonomia universitária. Um governo comprometido com a autonomia universitária deveria focar a ação governamental na remoção dos entulhos normativos que impedem o efetivo gozo da autonomia, tal como determinado pelo artigo 207 da Constituição, norma constitucional que é incompatível com regulamentações restritivas. Assim, as novas normas deveriam privilegiar a remoção dos mecanismos heterônomos, como a definição ad hoc do orçamento das IFES pelo governo. A autonomia requer a definição de mecanismos institucionais de financiamento que independam do governo de plantão e que permitam que as IFES possam desenvolver seus projetos institucionais.



Correio da Cidadania: Luiz Henrique Schuch, 1º. vice-presidente do ANDES (Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior), apontou para a estranheza de se levar adiante o projeto através de MP, sem que houvesse urgência para tal. O artifício usado pelo governo revela que tipo de intenções políticas para o ensino superior?



Roberto Leher: A leitura da MP permite concluir que o governo pretende avançar no modelo bancomundialista da universidade como organização subordinada aos interesses do capital, não importa se nos marcos do mal denominado neodesenvolvimentismo. Nesse sentido, temos uma das maiores ameaças sobre a universidade na história recente das instituições. O dramático é que os reitores celebraram a heteronomia, pois acham que a mobilidade dos recursos de um exercício para o outro é uma grande vitória. O preço a pagar por esta pequena "conquista" será muito alto, mas quem pagará a conta serão os trabalhadores que necessitam de uma universidade autônoma para que possam produzir conhecimento novo imprescindível para superarmos os grandes problemas dos povos.



Correio da Cidadania: Parece, de todo modo, que, no geral, há uma orientação das IFES como entusiastas e cada vez mais defensoras da entrada de recursos privados em instituições públicas de ensino superior, não?



Roberto Leher: Como disse, aqui temos a questão mais axial do projeto de autonomia geminado com o fortalecimento das fundações ditas de apoio privado. O aprofundamento da condição capitalista dependente do bloco de poder requer a destruição das bases para um projeto nacional e popular. A prioridade do atual bloco de poder, bloco gerenciado pelo governo Lula da Silva, é disputar espaços na economia mundial a partir do aprofundamento do imperialismo. Isso significa mais dependência e uma maior interconexão com as corporações multinacionais.



Tudo isso se traduz na hipertrofia do capital portador de juros e do setor de exportação de commodities. Quando a universidade é colocada para servir a estas frações burguesas, temos uma profunda perda da função social da universidade. A universidade deixa de ter como função a produção do conhecimento para a solução dos problemas dos povos e deixa de ser uma instituição comprometida com a verdade e com o conhecimento objetivo e rigoroso da sociedade e da natureza. A instituição converte-se em uma organização operacional, voltada para objetivos particularistas dos financiadores.



O drama é que esses contratos nada têm a ver com a missão histórica da universidade. A lei de inovação tecnológica procura impor à universidade uma função que, no capitalismo, sequer é realizada no espaço universitário: a pesquisa e desenvolvimento (ou inovação). Nos países da OCDE, perto de 80% a 90% das inovações são realizadas dentro das empresas. Como as empresas localizadas no Brasil não possuem departamentos com estes fins, pois isso é feito em suas matrizes, o governo pretende subsidiar os custos da pesquisa e desenvolvimento deslocando essas atribuições para a universidade. Isso pode levar a uma completa descaracterização da universidade, com a destruição de sua autonomia frente ao governo e aos interesses do capital.



Concretamente, podemos vislumbrar uma situação em que o povo brasileiro deixaria de poder contar com suas universidades. Isso seria um retrocesso brutal na luta por um projeto civilizatório capaz de superar a barbárie que nos assola no cotidiano.



Correio da Cidadania: Estamos, portanto, diante do inexorável trunfo do mercado para impor seus ditames, apropriando-se de descobertas, inovações e demais adventos de relevância social com o resultado do trabalho de profissionais dessas instituições. Enfim, ao final, não se atenta exatamente contra a autonomia universitária?



Roberto Leher: Sim, o controle da produção do conhecimento pelo capital, por meio das patentes e das demais formas de propriedade intelectual, aumenta a heteronomia da universidade, tornando-a cada vez mais débil diante dos desafios no campo da saúde, da agricultura, da energia, da educação, das engenharias etc. Objetivamente, como pensar uma agricultura que fortaleça a soberania alimentar dos povos se toda pesquisa é auspiciada pela Monsanto? É obvio que as pesquisas da Monsanto estão a serviço de suas sementes transgênicas e de seus insumos agroquímicos associados a essas manipulações genéticas. O mesmo pode ser dito sobre as pesquisas da indústria petroleira no campo da energia ou das farmacêuticas no campo da saúde pública.



Correio da Cidadania: O ANDES já mostrou sua insatisfação e desaprovação com o plano. Houve um debate a contento da pauta da autonomia universitária, envolvendo todos os interessados, inclusive a sociedade? O governo deu algum ouvido a esses debates no período que antecedeu sua aprovação?



Roberto Leher: Não houve debate sobre o tema. A edição de uma MP comprova isso. O governo escutou essencialmente as corporações que precisam de plataformas de apoio em termos de Pesquisa e Desenvolvimento, mas que não estão dispostas a investir pesadamente nesse campo. Com isso, atendem também aos setores universitários engajados no capitalismo acadêmico.



É preciso revigorar o debate para que possamos fortalecer as resistências a essas medidas heterônomas. Para isso, o trabalho de argumentação com os segmentos acadêmicos genuinamente comprometidos com a ética na produção do conhecimento é prioritário. O protagonismo estudantil é igualmente crucial e imprescindível. Estou convencido de que o ANDES-SN estará profundamente empenhado nessa direção, pois o Sindicato possui um projeto de universidade laboriosamente construído em mais de 25 anos de luta, que a concebe como radicalmente pública.



A luta, contudo, tem de ser por um outro projeto de universidade e, por isso, o ANDES-SN deve seguir atualizando o seu projeto frente aos desafios impostos pela conjuntura.  Não creio em uma tática puramente reativa. O ANDES-SN e o movimento estudantil autônomo devem perseverar no trabalho político de ampliação do arco de forças em prol da educação pública, universal, gratuita, unitária e comprometida com a crítica à colonialidade do saber.



Roberto Leher é doutor em Educação pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), coordenador do Observatório Social da América Latina – Brasil/ Clacso e do Projeto Outro Brasil (Fundação Rosa Luxemburgo).



Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.



Colaborou Gabriel Brito, jornalista, Correio da Cidadania.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pequenos Atos – Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o mundo das pessoas.

Este texto foi escrito não utilizando a impessoalidade para que os sentimentos não fossem descaracterizados.

Enquanto cidadãos muitas vezes nos vemos à mercê de políticas públicas que não atendem nossas reais necessidades, e diante das complexidades e emaranhados do serviço público podemos sentir de forma muito avassaladora como somos impotentes diante desse sistema. Quando um governo tem líderes eleitos pelo povo, o povo compartilha a responsabilidade pelo que há de bom e de ruim na sociedade, entendendo dessa forma, nos tornamos também coadjutores dessa história e não apenas vítimas. É revoltante quando vemos a distância social e econômica que envolve as pessoas, e muitas vezes nós mesmos, é um vale que separa ricos e pobres, que separa os que vestem dos que não vestem, os que moram dos que não moram, os que comem dos que não comem, os que tem lazer dos que não tem, os que sonham dos que não sonham mais, os que são felizes dos que nem sabem o que é ser feliz pelo menos uma vez na vida. Talvez o filme “à procura da felicidade” com o autor Will Smith, inspirado em fatos reais, demonstre um pouco da loucura que um ser humano enfrenta para continuar vivendo diante de tantas iniqüidades sociais. É imperativo que desenvolvamos uma consciência crítica que nos fará entendermos a própria realidade, de nos percebermos como parte dessa realidade, mas com a capacidade de intervir, de mudar, de criar e recriar, de construir e reconstruir, de inovar e de mudar quantas vezes se faça necessário. Não estamos neste mundo apenas para assistir a tudo o que acontece, temos o dever de agir e não apenas de receber a ação. Compreendendo que podemos estar no papel de vítimas e/ou coadjutores, e abrindo mão da forma de agir globalmente, pois é impossível mudarmos o mundo sozinhos, podemos nos voltar para dentro de nós mesmos e da realidade vivenciada pelo eu e pelos que nos rodeiam. Agindo dessa forma começamos a pensar “o que é preciso ser feito, e o que eu posso fazer?”. A partir desse momento farei um relato sucinto do que eu posso fazer para mudar, nem que seja um pouco, o mundo das pessoas, já que não posso mudar o mundo. Há oito meses comecei a fazer um trabalho social com jovens carentes, de dez a dezoito anos, na região do Taquari, em Palmas – TO. O primeiro contato que tive com esses jovens foi através de vizinhos e algumas pessoas que eu já conhecia. Antes de iniciar o trabalho entrei em contato com cada família para conhecer de perto a realidade em que vivem e para pedir a autorização dos pais e também expor o trabalho pretendido. Todos eles vivem em moradias precárias, algumas tem somente alguns cômodos construídos, e nenhuma delas tem acabamento. Há poucos móveis e objetos. Todos tem estrutura familiar com algum problema, alguns foram abandonados pelas mães, outros os pais estão tão distantes como se nem existissem. Em muitas conversas que tive com esses jovens descobri muitas outras coisas, eles não tem uma alimentação adequada, os pais às vezes escondem o alimento dentro da própria casa para que eles não comam tudo, pois há pouco alimento. Eles não recebiam nenhuma educação religiosa, e não relatavam ter esperança de melhorar sua situação, não tinham nenhuma perspectiva de futuro. A maioria deles não praticava nenhuma atividade física ou de lazer, não tinham incentivo algum para dar atenção à educação secular, e nunca participaram de uma ação comunitária. O mais triste foi ver o comportamento agressivo tanto verbal, como físico e também a falta de auto-estima em pessoas tão jovens, com uma vida toda pela frente. Confesso que senti muitas dificuldades quando iniciamos esse trabalho, pois agora minha família também está envolvida. Não sabíamos direito como realizar esse trabalho, então selecionamos quatro eixos:

- Espiritual;

- Físico;

- Educacional, pessoal e profissional;

- Comunitário e social.

Para darmos início a este desafio começamos por cuidar da espiritualidade de cada um deles, “pois é mais fácil tirar as pessoas da miséria do que a miséria de dentro das pessoas”. Eles precisavam saber que eram importantes para alguém, que tinham pessoas que se importavam com eles e tinham o desejo de ajudá-los. Através de doações de amigos conseguimos roupas e calçados para esses jovens, e há sete meses eles freqüentam uma igreja. Todos os domingos passamos na casa de cada um deles, e quando ainda estão dormindo, nós os esperamos. A freqüência à igreja é uma forma importante de socialização, de fazer novos amigos e também de encontrar forças para vencerem suas dificuldades. Durante quatro dias na semana, por uma hora, eles participam de aulas que ensinam valores e princípios. Aprendem sobre a importância do bom convívio familiar, da honestidade, da verdade, do valor do trabalho e da educação, entre outros. Como há designações de leitura nas aulas, eles estão lendo muito melhor, com mais clareza e com menos erros. Eles mesmos já reconheceram esta mudança! Nas aulas são realizados trabalhos individuais, em duplas ou grupos, discussões e seminários, eles estão aprendendo a pensar de forma inteligente e a trabalhar em equipe. Aos poucos fomos acrescentando atividades físicas, como andar de bicicleta, fazer caminhadas, e atualmente eles participam de um time de futebol toda sexta-feira à noite. Na área educacional eles são motivados a estudarem o máximo que puderem, não importa se estão em escolas públicas, eles são ensinados que devem buscar seu próprio conhecimento e aprender muito além daquilo que é ensinado em sala de aula, “pois podem tirar tudo de uma pessoa, menos o seu conhecimento”. Também são incentivados a fazerem cursos em diversas áreas, e aperfeiçoarem seu desempenho na leitura, escrita e matemática, e a lerem todos os bons livros que puderem. Um deles contou-me que tirou dez numa prova de matemática. Eles são ensinados que devem se preparar para o futuro, “pois o sucesso é possível quando a oportunidade encontra a preparação”. Para ensiná-los são utilizados diversos métodos didáticos, dentre eles, histórias reais, como por exemplo, a de um homem chamado Dieter F. Uchtdorf, que além de ter uma infância pobre, foi refugiado duas vezes na Alemanha, mas venceu seus desafios e se tornou piloto de caça nos Estados Unidos. Eles são ensinados também sobre os processos seletivos e como preparar-se para entrar em uma escola técnica ou na universidade. Todos são motivados a desenvolverem habilidades artísticas, e estamos vendo a possibilidade de formarmos um coral. Já realizamos um “Show de Talentos” e já temos outras atividades programadas. No desenvolvimento comunitário e social, que os ajudará a tornarem-se melhores membros da família, da comunidade e do país, eles são incentivados a praticar os hábitos de higiene pessoal e boa aparência para seu bem-estar e daqueles que os rodeiam. Eles tem a oportunidade de participar de serviço voluntário na comunidade, em hospitais, asilos, creches, escolas e outros. Já realizaram um trabalho de limpeza geral na creche do Taquari. Eles aprendem que devem participar de associações comunitárias, e de pelo menos uma reunião na câmara de vereadores. Também nesta área é ensinado a eles a importância de uma boa peça teatral, de um bom filme, do convívio em sociedade, da participação em diversas atividades sociais salutares que proporcionaram conhecimento, cultura e bem-estar emocional. Passamos uma tarde no clube Itapema, muitos deles relataram que nunca tiveram a oportunidade de ir a um clube. Eles riram, se divertiram, jogaram, nadaram e brincaram muito. Esses jovens também estão aprendendo sobre planejamento, pois as atividades para o semestre que está iniciando, foram todas planejadas com eles de forma bem democrática, onde todos puderam opinar sobre o que gostariam de fazer. Pretendemos realizar neste semestre um show musical, campeonato de vídeo game, de flexão e de futebol, noite da pizza, do sorvete e do cachorro quente, vôlei, cinema, teatro, caminhada e corrida no Césamar, caça ao tesouro, gincana com diversas brincadeiras, coral e projetos de servico à comunidade. Continuaremos com as quatro aulas semanais (de terça a sexta-feira) sobre valores e princípios, e acrescentaremos aulas sobre democracia, cidadania, constituição federal, estatuto da criança e do adolescente, saúde, educação, segurança, gestão pública, entre outros. Às vezes temos a impressão que estamos fazendo um trabalho ínfimo, mas estamos tentando visualizar o futuro e a mudança que poderemos causar na vida desses jovens. Estamos trabalhando com doze jovens, parece pouco, mas faz a diferença, pois eles podem influenciar de forma positiva seus familiares, amigos e colegas de escola, e talvez no futuro possam fazer o mesmo por outros jovens. Se cada pessoa com dedicação, dignidade e diligência tiver o desejo de ajudar os outros, começando por sua família, prestando serviço à comunidade, fazendo a diferença no seu local de trabalho, estendendo a mão aos que precisam de ajuda, estaremos contribuindo para que o mundo das pessoas seja melhor, para que haja qualidade de vida nos lares, nos locais de trabalho, nas escolas e onde quer que estejamos.

“Vivam de maneira que as pessoas que os conheçam, ainda que não façam o bem, desejem fazê-lo por conhecerem vocês”.



SANDRI, SANDRA M. R

Especializanda em Gestão Pública e Sociedade