Páginas Vinculadas
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Nova turma da pós em Gestão Pública e Sociedade - informações
sábado, 16 de abril de 2011
O Fetiche da Tecnologia
De 1850 até a Primeira Guerra Mundial, mais de 40 milhões de pessoas foram “exportadas” da Europa para outros territórios, o que equivaleu mais de ¼ da força de trabalho. Essa foi uma forma da Europa “resolver” o problema do desemprego, solução que hoje não é mais possível. Para além do mero avanço técnico o desenvolvimento econômico exige justiça social. Mas ainda há quem acredite que a tecnologia por si só resolverá a questão atual do excedente humano na América Latina e que a luta pela reforma agrária é anacrônica, ultrapassada. Há no nordeste, por exemplo, o Movimento Social Conviver com o Semiárido que defende tecnologias sociais e empreendimentos agroecológicos solidários que poderão melhorar as condições de vida da classe trabalhadora. Em Alagoas e no Maranhão 60% de “inframiseráveis” recebem a bolsa-família e a situação pode piorar. Com aplicação de avançada tecnologia 70% das águas da transposição do Rio Chico serão destinadas à irrigação, 26% para consumo industrial e urbano, só 4% para consumo humano. Portanto, como os “inframiseráveis” e os 20 milhões de nordestinos serão beneficiados? Para José G. da Silva e outros há no nordeste uma “questão agrária” a ser resolvida. Afirma José Eli da Veiga: “Em todos os países desenvolvidos, a agricultura familiar tem uma importância socioeconômica e política muito maior do que a agricultura patronal, baseada no trabalho assalariado. No Brasil a situação é inversa. Até o Banco Mundial reconhece que nenhuma outra política tem capacidade redistributiva do que a reforma agrária. Apesar da força do MITO da agricultura patronal, a sociedade brasileira está aos poucos se dando conta da sua absurda INEFICIÊNCIA distributiva. Todavia o assentamento anual de algumas dezenas milhares de ‘sem-terra’ valerá pouco se nada for feito para liberar o potencial dos pelo menos dois milhões de agricultores familiares ‘com – terra’. É crescente a população rural não- agrícola, pois enquanto diminui o êxodo rural cresce a desocupação agrícola, cerca de 28 milhões de pessoas deixaram a área rural entre 1960 e 1980. E entre 1992 e 1995, ficaram sem ocupações agrícolas assalariadas ou por conta própria cerca de
Felipe Luiz Gomes e Silva.
terça-feira, 12 de abril de 2011
DEBATE NA UFT: aberto para todos
segunda-feira, 4 de abril de 2011
A quem interessa a transposição do São Francisco?
25/03/2011
É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas ideias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas. Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.
Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes.
Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar. Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil.
Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do País, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo.
O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte. Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.
Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio – Paulo Afonso, Itaparica e Xingó.
Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.
Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas?
Os “vazanteiros” que fazem horticultura no leito dos rios que “cortam” – que perdem fluxo durante o ano-serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: “A cultura de vazante já era”. Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados. De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm.
Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste. No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses.
Trata-se, porém, do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes.
O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da Chapada do Araripe – com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política.
No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.
*Aziz Ab´Sáber é geógrafo, professor e escritor. Professor-Doutor em Geografia Física (USP), ganhador do prêmio Ciência e Meio Ambiente da Unesco, também foi presidente da SBPC e do Condephaat e diretor do Instituto de Geografia da USP.
quarta-feira, 30 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Lançamento Livro: Trabalho Educação e Reprodução Social
Convidamos todos vocês para participar da sessão de lançamento do livro:
Trabalho, educação e reprodução social: As contradições do capital no século XXI, organizado pelos professores Eraldo Batista, vinculado ao grupo de estudos e pesquisas HISTEDBR_GT_Unicamp e Henrique Novaes, professor da UNESP-Marília, Departamento de Administração e Supervisão Escolar (DASE). Os organizadores e os autores dos capítulos farão uma breve exposição do mesmo e após esta atividade, realizaremos o lançamento.
OBS: Os autores e organizadores irão vender o livro mais barato que o valor estipulado pela editora, os interessados, por favor, entrem em contato com os autores.
Abaixo seguem mais informações sobre livro
Dia do lançamento: 24 de Março
Local: Sala da Congregação Faculdade de Educação/ Unicamp
Horas: 16:30 horas
Abraços,
Eraldo Batista, Henrique Novaes e demais autores
ARTIGOS E AUTORES
A reestruturação produtiva e a nova ideologia da educação profissional:
adaptação e competências
Roberto Leme Batista
Mundialização do capital e as novas formas de imbricação entre as
dimensões financeira e produtiva
Lívia de Cássia Godoi Moraes
A concepção de educação na obra de István Mészáros
Caio Antunes
Notas sobre direito autoral, desenvolvimento tecnológico e precarização
do trabalho
Arakin Queiroz Monteiro
Experimentação/autogestionária: autogestão da pedagogia/pedagogia
da autogestão
Cláudio Nascimento
A autogestão como magnífica escola: notas sobre educação no trabalho
associado
Henrique T. Novaes
A educação no contexto da economia solidária: problemáticas para uma práxis emancipatória
Édi Augusto Benini, Elcio Gustavo Benini e Juliana Chioca Ipolito
Educação, trabalho e autogestão: limites e possibilidades da economia
solidária
Ioli G. Wirth, Laís Fraga e Henrique T. Novaes
Reflexões para um debate sobre a orientação da rede dos institutos
federais de educação, ciência e tecnologia
Renato Dagnino, Núbia Moura Ribeiro e Alex Cypriano
A educação profissional no Brasil: algumas notas sobre os anos 1930 e
1940
Eraldo Leme Batista, Helica Silva Carmo Gomes
A relação “educação e trabalho” no pensamento pedagógico dos
empresários brasileiros em fase de neoliberalismo
Elisabete Gonçalves de Souza
Movimentos sociais, trabalho associado e educação: reformas e rupturas
Neusa Maria Dal Ri e Candido Giraldez Vieitez
Educação no movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra: formação
em agroecologia no MST/PR
Aparecida do Carmo Lima e Amélia Kimiko Noma
Notas sobre a educação popular e a questão agrária na revolução
burguesa no Brasil
Fabiana de Cássia Rodrigues
A mão e o sinete notas introdutórias à questão do controle social na UFFS
Paulo Alves de Lima Filho
Rede de Estudos do Trabalho
RESUMO DO LIVRO:
O livro-coletânea “Trabalho, Educação
e Reprodução Social – As contradições
do capital no século XXI”, organizado
por Eraldo Batista e Henrique Novaes,
é um precioso convite à reflexão crítica
num cenário de barbárie social e impasses
históricos da civilização do capital. É um
painel privilegiado de problemáticas do
trabalho nos primórdios do século XXI
tratadas a partir da particularidade brasileira.
O livro trata de temas candentes
como Trabalho, Educação e Mundialização
do capital, Trabalho Associado e Educação
no Brasil, Trabalho e Educação profissional
no Brasil e Trabalho, Educação
e Movimentos sociais no Brasil. Enfim,
a temática da educação percorre todos os
textos desta interessante coletânea.
Por que o tema da formação humana
– ou educação no sentido pleno da palavra
– é o tema mais crucial do século XXI?
Primeiro, porque o ato de fazer história
implica sujeitos humanos conscientes
capazes de transformar as condições
materiais de produção da vida, por meio
de intervenções radicais no plano da democratização
da vida cotidiana. Enfim,
a questão que se coloca hoje sob o tempo
histórico do “capitalismo manipulatório”
(Lukács) é como deter a máquina industrial
e política de desmonte de sujeitos humanos
montada pela ordem do capital.
(...)
Segundo, formar sujeitos humanos
capazes de escolhas radicais é um ato subversivo
na ordem burguesa. Na medida em
que escolas, movimentos sociais, partidos e
sindicatos com compromisso histórico radical
conseguirem elaborar metodologias
pedagógicas capazes de ir além da mera
reprodução instrumental dos elementos
da ordem capitalista, eles se colocarão
num campo precioso da subversão cultural
contra a ordem “imbecilizante” do capital.
A prática revolucionária hoje é acima
de tudo, uma práticaintelectual-moral, ou
melhor, uma intervenção prático-cultural
de natureza radical e criadora capazes de
formar sujeitos-produtores de uma consciência
crítica do mundo burguês.
(...)
Finalmente, com a constituição do
“capitalismo manipulatório”, que tornouse
hoje um sistema mundial organizado
pela oligarquia industrial-financeira, que
controla os aparatos de “formação de
opinião pública”, sob o controle do capital
concentrado dos grandes grupos da
indústria cultural, o problema da formação
humana tornou-se o problema crucial
do nosso tempo histórico. Manipula-se
mais hoje do que nunca, tendo em vista
que, não interessa ao sistema de controle
estranhado do capital em escala global, a
dissidência intelectual-moral. Na medida
em que se agudizam as contradições orgânicas
da ordem mundial do capital em
sua etapa de crise estrutural, ampliam-se
e intensificam-se formas de manipulação
que deformam os sujeitos humanos. Na
verdade, impede-se a formação humana
no sentido de homens e mulheres capazes
de consciência crítica e, principalmente,
consciência de classe.
Sob a crise estrutural do capital, disseminam-
se novos modos de estranhamento
social que assumem formas fetichizadas.
Mais do que nunca, a percepção da realidade
histórica é prejudicada pelo fetichismo
social que impregna a ordem burguesa.
Fetichismo quer dizer intransparência e
ocultação da natureza essencial das coisas.
O que significa que hoje, a intensificação
da manipulação decorre do incremento
do fetichismo social, onde o fetichismo da
mercadoria é sua forma mais simples.
(...)
sexta-feira, 18 de março de 2011
A RIQUEZA PRODUZ A POBREZA E DELA SE ALIMENTA
Para o burguês Cecil Rhodes a expansão do Império Britânico era crucial e se fosse possível deveria anexar os planetas. Afirmava que para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil o Império deveria apoderar-se de novos territórios para “exportar” a população miserável que sobrava. E assim, de 1850 até a Primeira Guerra Mundial, 40 milhões de miseráveis foram “exportados” da Europa para outras terras, o que equivaleu mais de ¼ da força de trabalho, enorme excedente humano. Hoje esta solução não é mais possível. Os 57% dos trabalhadores miseráveis da América Latina, os 40% da Ásia e os 60% da África já não são necessários à exploração capitalista, o sistema econômico não é capaz de absorver essa grandeza de indigentes (Davis, M. 2006). Para Z. Bauman esses miseráveis são, para o capital, imprestáveis “entulhos humanos”. Segundo a Organização Internacional do Trabalho a última crise mundial adicionará 50 milhões de seres humanos aos 190 milhões de desempregados existentes. Não há política compensatória {Bolsa-Família} que atenda essa enorme quantidade de miseráveis do mundo. Há quem acredite que as causas da crise do capitalismo estão diretamente relacionadas ao mau caráter dos governantes e dos parlamentares, isto é, ficam na superfície do problema. São muitos os “moralistas generosos” que apoiaram, com fervor, à Ditadura Militar de 1964. É óbvio que os governantes são apenas burocratas subordinados aos interesses econômicos dos capitalistas locais e mundiais. Os burocratas podem ser “generosos” gestores da miséria proletária por meio de políticas compensatórias, mas as raízes estruturais da miséria permanecem intocadas. As mazelas do capitalismo são inerentes à sua natureza destruidora. A causa fundamental das mazelas deriva da sua própria dinâmica, ou seja, a produção da riqueza social é coletiva, mas a apropriação dos frutos do trabalho humano é privada. O Brasil é exemplar na produção de desigualdades sociais, pois 45% de toda riqueza e da renda estão concentradas nas mãos de apenas cinco mil famílias e 31,09% de pessoas, com 10 anos ou mais de idade, não possuem rendimentos (PNAD, 2009). A especulação financeira é uma qualidade do sistema, não podemos esquecer os superlucros e os juros/agiotas que sugam o suor da classe trabalhadora. Repito: o Brasil, infelizmente, pagou de juros/agiotas 380 bilhões de reais, o que correspondeu a 36% de todo Orçamento da União e foram destinados apenas 4,8% para saúde e 2,8% para educação (2009). Há quem acredite que D. Rousseff cortou R$50 bilhões para pagar juros/agiotas por ser uma senhora malvada. O príncipe Fernando Henrique e o ex-operário Lula não estancaram essa criminosa sangria da classe trabalhadora. D. Rousseff e o seu aliado J. Sarney não estancarão e muito menos um futuro presidente tucano também subordinado aos interesses do poder econômico. Quem estancará?
felipeluizgomes@terra.com.br