Páginas Vinculadas

Página específica para a 3ª edição do curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade:

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CPI, MST E A BARBÁRIE


Mais uma vez, na história contemporânea brasileira, somos acometidos pela tentativa de criminalização dos movimentos sociais do campo, em especial, o MST. Na verdade, há muito tempo, a elite agrário-ruralista incita ideologicamente a sociedade brasileira a reproduzir a versão dominante. Antigamente, poder-se-ia falar de capitães do mato que continuam a existir na figura emblemática dos jagunços contratos pelo camuflado empreendedorismo rural que representa os interesses dos velhos donos das antigas capitanias hereditárias e, hoje, dos grandes latifúndios do agronegócio. Dessa forma, não há como esquecer o processo de criminalização contra os movimentos sociais que foi sendo criada pela elite agrária no intuito de conter a suposta “desordem” em nome de uma ordem positivista que mantêm a sociedade de classes onde todos aceitam passivamente a condição que lhe é imposta.


Muitos acontecimentos criminosos foram realizados pela mesma elite que hoje criminaliza os pobres do campo, a saber: Palmares, Canudos, Contestado, as Ligas Camponesas, a Comissão Pastoral da Terra, a Contag, o MAB, o MST, Via Campesina, entre outros tantos. Todos aqueles que postulam pedagógica e politicamente a resistência contra a ordem estabelecida pelas elites são amordaçados pela patologia da opressão.


Como esquecer a Revista Veja tendo como capa João Pedro Stédile comparado a imagem do demônio bem ao gosto medieval onde se usavam as imagens para amedrontar as pessoas? Como esquecer a violência praticada há séculos com os camponeses no Brasil em nome da defesa da sacrossanta propriedade privada? Como esquecer a CPI da Terra que em nome de uma democracia tutelada permitiu a criminalização hedionda dos movimentos sociais do campo? Como esquecer a mídia, a serviço sabe-se de quem, que se presta a um papel de inventar estórias e contos de fada acerca do maior movimento social da América Latina e compará-lo com uma simples guerrilha armada? Como esquecer o recente episódio das laranjas que foram derrubadas numa ação coletiva do MST realizada em terras griladas da União e que hoje estão sob a guarda da empresa Cutrale?


Novamente, o MST se torna midiático. Continuo acreditando que a sociedade brasileira não conseguiu superar o modo de produção das capitanias hereditárias, das sesmarias e do latifundiário. Pelo contrário, há sem dúvida um fortalecimento do modo de produção latifundiário que tentar mascarar o real, o concreto, a vida e o próprio paradoxo existente na sociedade brasileira, onde poucos ricos se tornam cada vez mais ricos à custa dos milhares de pobres cada vez mais pobres.


Nesta última imbecil criminalização, o MST se tornou notícias por causa de laranjas. Tive que, ao menos, tentar explicar para meus alunos, professores e outros conhecidos o que se encontra por detrás dessa criminalização para com o MST e também com outros movimentos sociais do campo. Sentia que as explicações que dava eram insuficientes. Parecia haver um processo de crescimento da patologia criada contra o MST. Dessa vez, confesso, está sendo difícil defender a causa na qual acredito. As pessoas parecem estar realmente movidas por uma patologia social que cega e paralisa a consciência crítica.


Mas como, que absurdo, derrubarem pés de laranjas? E hoje, pensando sobre essa questão, começo a compreender o quanto nossa sociedade se encontra doente.


A doença se chama alienação e Marx já a previa desde 1848. Comecei então a imaginar: e se os pés de laranjas fossem os trabalhadores rurais sem terra? Qual seria a reação das pessoas, dos aparelhos ideológicos do mercado e do Estado, bem como, da sociedade? Com esta problematização comecei a perceber que estamos num estado de barbárie absoluta.


Os mesmos que hoje se deleitam na defesa intransigente dos pés de laranja são os mesmos que no passado recente nada disseram contra os massacres de Corumbiara e de Eldorado dos Carajás. São os mesmos que não se comovem com o assassinato de líderes sindicais, de trabalhadores rurais, de padres e pastores, de religiosas e religiosos, de militantes, de advogados ligados aos movimentos sociais. Estes merecem morrer... já, os pés de laranja representam a fortaleza do capital e merecem viver na propriedade privada grilada da União. Aliás, a grilagem realmente pouco importa neste momento, a questão é a condenação do MST.


Como se não fosse suficiente, os políticos de plantão resolveram agir. Querem criar uma CPI do MST. Talvez, torne-se a primeira CPI sem pizza.


É realmente cômico ver determinados senadores e deputados federais esbravejando contra o MST e buscando coletar assinaturas que sejam suficientes para se instalar mais uma CPI. Ao invés de CPI do MST porque não fazer CPI das terras griladas no Brasil, CPI das Capitanias Hereditárias, CPI do Latifúndio, CPI do Agronegócio etc. Mas porque novamente essa onda de vexatória pública contra o MST? Porque o MST representa a última esperança contra o modo de produção capitalista. Trata-se de um movimento social que ainda acredita no socialismo como alternativa política e organizativa e que defende outro projeto de sociedade para o Brasil. Diante disso, as vozes enfurecidas dos representantes políticos e empresariais do agronegócio resolveram partir para o confronto.


O que realmente está em jogo nesta questão? Para os latifundiários, colocar um fim ao MST e restabelecer a ordem social pensada pelos defensores da propriedade privada que é um dos alicerces do modo de produção capitalista. Para o MST, promover a luta de classes e buscar politicamente outro tipo de sociedade, baseada na eqüidade e na justiça histórica e social. Trata-se de uma luta entre os proprietários dos meios de produção e os proprietários da força de trabalho, ou seja, uma luta entre burguesia latifundiária e proletários camponeses.


A instalação da CPI evidenciará que a classe dominante dos coronéis, dos fazendeiros, dos donos do poder é que realmente comandam as relações de capital e trabalho na sociedade brasileira. Provavelmente, a CPI se instalará por mais que o Planalto não queira. Mas não será a CPI do MST, pelo contrário, será a CPI da barbárie que tenta há muito tempo encontrar um bode expiatório que pague todos os erros cometidos pela desordem que existe. Com certeza não se tocará no assunto dos massacres, dos assassinatos, das grilagens de terra (grilagem de terra pode, derrubar laranjas não pode), da pistolagem no campo que se tornaram verdadeiras milícias nas mãos dos fazendeiros (alguns deles estão no próprio Congresso e farão parte da CPI). Não se falará sobre reforma agrária, a questão primordial é simples e prática: condenar o MST.


Contudo, ainda acredito que a história nos mostra caminhos. Poderão condenar o MST. Poderão tentar matá-lo. Mas ele ressurge sempre mais forte quando episódios como das laranjas acontece. De Pilatos a Hitler, de Hitler ao nosso fardo tempo histórico, todos tentaram calar a voz pedagogicamente profética dos contrários à barbárie. Não será dessa vez que deixará de surgir outras vozes no interior do próprio MST. Para mim, a questão é tão complexa que apresenta, talvez, uma única certeza, já que as incertezas estão mais presentes neste debate dos contraditórios. Por isso, concordo com o velho Cazuza e parafraseando-o afirmo: Essa burguesia latifundiária fede continua promovendo a barbárie.



Claudemiro Godoy do Nascimento

Filósofo e Teólogo. Mestre em Educação/Unicamp. Doutorando em Educação/UnB. Professor da Universidade Federal do Tocantins – UFT/Campus de Arraias.

E-m

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Brasil no remo


A Competição de Remo

Foi realizada uma competição entre a equipe de remo do Japão e a equipe de remo brasileira. A competição se inicia, mas o resultado não é favorável para a nossa equipe. Chegamos com uma hora de atraso em relação aos japoneses.

Indignados, foram feitas várias reuniões para averiguar a causa da derrota. Assim ficou o resumo do relatório que fazia a comparação das equipes:

JAPÃO:
1 Chefe de equipe
10 remadores

BRASIL
10 Chefes de equipe
1 remador

Descoberto o grande erro, a equipe brasileira foi remodelada para a próxima competição. Porém, perdemos novamente e, dessa vez, o nosso atraso foi de 2 horas.

Mais uma vez foram convocadas reuniões e viagens para o estudo das causas. Segue o resumo:

JAPÃO
1 chefe de equipe
10 remadores

BRASIL
1 chefe de equipe
3 chefes de departamento
6 auxiliares de chefia
1 remador

Mais uma vez, o erro foi identificado e uma nova equipe foi montada. Tudo foi levado em conta: resizing, downzing, GCT, e ainda economistas opinando, conceitos de modernidade e globalização passaram a ser considerados. Diplomas, Faculdades, Pós-graduações e MBAs foram levados em consideração. Porém, na hora da competição, o Brasil chegou com 3 horas de atraso.

Mais reuniões, etc. Foi feito um outro levantamento.

JAPÃO
1 chefe de equipe
10 remadores

BRASIL
1 chefe de equipe
3 chefes de departamento
2 analistas de O&M
2 Controlles
1 Auditor Independente
1 Gerente de Qualidade Total gerenciando e administrando o PQT, o GCT, o PDCA e o 27S visando uma melhor Qualidade,
Produtividade e Competitividade na Globalização
1 Psicóloga aplicando a Inteligência Emocional e Marketing Pessoal na Empresa
15 Secretárias (de micro-saia, sem calcinha e sem soutien)
1 Remador

Depois de muitos argumentos, reuniões e discussões, chegaram à seguinte conclusão definitiva: o problema era, claro e evidente, do remador, que, com certeza, por culpa de influência do Sindicato e por causa de sua falta de treinamento generalista, não era capaz de exercer sua atividade com eficiência.

A solução é privatizar ou terceirizar e/ou contratar um remador que não seja da folha do Clube.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

No trânsito você quer viver ou morrer?

Quando nós deparamos com perguntas comoventes e arrepiantes como a citada acima, paramos 5 segundos e refletimos sobre a tamanha importância da nossa vida. Vida esta que conseguimos superar mais de 40 milhões de espermatozóides, para conquista-la, pois somos obra do nosso criador JESUS CRISTO.

Mas você pode perguntar o que isso tem a ver com trânsito?. A seguir iremos motrar que este simples paragrafo, reforça a pergunta do título deste artigo. Pois vamos viajar pelos perigo do trânsito em nossas vidas.

Iniciamos este artigo com números arrepiantes. Só no Brasil mais de 40 mil pessoas perdem a vida anualmente em acidentes de trânsito, porém acredita-se que estes números são maiores pois as estatísticas não atingem 100%. Só no último feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida os acidentes deixaram 88 mortos, e ainda 1.389 pessoas ficaram feridas; (Fonte:Polícia Rodoviária Federal), período que foram contabilizados na Operação Padroeira entre os dias 9 e 12 de Outubro, somando aproximadamente 2.220 acidentes em todo o país. Tendo o Estado de Minas Gerais com maior registro no Ranking, (352) acidentes seguido do Paraná (268), Santa Catarina (257), Rio (190), Rio Grande do Sul e São Paulo (169). Só Minas matou 21 pessoas nas rodovias. O estado de Tocantins também engrossam esses números pois nas rodovias federais que cortam o Tocantins e na Capital Palmas somente na Operação Independência, registrou 16 acidentes entre os dias 4 e 8 de setembro 2009, com uma morte e 12 pessoas feridas. Já em Palmas Capital registrou 56 acidentes com 33 feridos e uma morte (Fonte: EcodoTocantins).

Em todo o mundo o trânsito destrói famílias inteira ceifando vidas, porém os números brasileiros são alarmantes e disparam na frente de qualquer país do mundo.

Com base em tantos números COMOVENTES, resolvir escrever este húmilde artigo no qual “Dedico a toda a População de Gurupi – TO”, que tem em seu slongan “Capital da Amizade”, neste momento me reservei o direito de não citar os números comoventes de mortes com acidentes de trânsito nesta cidade. Mas cito uma alerta importante aos senhores e senhoras condutores de veículos. O seguinte: para que possamos chegar em nossas casas, trabalho, local de lazer e demais localidades precisamos: SABER E TER A CONSCIÊNCIA, que o veículo a motor, como qualquer outra máquina, exige que o ser humano esteja qualificado tecnicamente e mentalmente para opera-lo seguramente.

Cumprindo estas observações, afirmamos que a vida é o bem mais importante que DEUS nos deu e que todos nós merecemos VIVER, desta maneira recomendamos DIRIGIR com RESPONSABILIDADE e CONSCIÊNCIA, seguindo as SETE OBRIGAÇÕES:


1º – NÃO dirigir com velocidade excessiva;

2º – NÃO dirigir sob efeito de álcool;

3º – NÃO dirigir muito próximo ao veículo da frente;

4º – NÃO dirigir desrespeitando à sinalização;

5º – NÃO dirigir sob efeito de drogas;

6º – NÃO dirigir com problemas emocionais;

7º – NÃO dirigir desrespeitando a VIDA.


Podemos concluir que o descuprimento destes SETE NÃO, podem nos levar a morte e lembramos mais uma vez que a responsabilidade é de cada um de nós, pois as pequisas nos mostram que o erro humano, em todo o mundo, é o responsável por mais de 90 % dos acidentes registrados. Encerramos afirmando que VIVER!, é muito mais importante.


Vanderlan Carneiro Dias

Engenheiro Agrônomo da UFT Campus de Gurupi – TO.

Estudante de Pós Graduação de Gestão Pública e Sociedade.

UFT Campus de Palmas-TO.

carneirovan@uft.edu.br


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

vários manifestos

Amigos, se me permitem, antes dos textos repassados da carta “o berro” (segue logo abaixo, por favor leiam), e inspirado na "preçe" magistral de Gandhi, gostaria de dizer que...


...enquanto não assumirmos a necessidade, histórica e dramática, de superar este tipo de sociedade, ou seja, uma sociedade...

...baseada na extração de mais valia, ou seja, na extorsão e espoliação de quem concretamente trabalha, produz riquezas, produz o nosso sustento e conforto,

...centrada na propriedade privada dos meios de produção, ou seja, progresso apenas para alguns poucos, à custa da vida, dignidade, suor e sangue dos seus semelhantes,

...baseada na valor de troca, ou seja, todo o desenvolvimento científico e tecnológico, organizacional e produtivo, é direcionado não pelas necessidades humanas, pela sua utilidade e racionalidade, mas sim para acelerar a acumulação de alguns poucos, "destruir" para produzir mais e mais, desperdício sistêmico na lógica de se acelerar a taxa de obsolescência das coisas, transformando tudo que for possível, recursos naturais, saúde, pessoas, etc., em mercadorias, alimentando a competição pela competição, muito para poucos, e pouco para muitos...

...dominada pelo tipo de organização societal burocrática, ou seja, concentração do poder decisório em poucos, na elite dominante, que detém com isso todos os instrumentos ideológicos (conhecimentos, grandes meios de comunicação) e repressivos (monopólio da violência, usa da força policial, uso do complexo jurídico), colocando o legalismo acima (e sufocando), a legitimidade do povo, do seu interesse público, do seu bem estar e condição humana,


Enquanto não descortinarmos todo o véu de ideologias superficiais, toda a nossa segurança insegura, todos os nossos medos ou vaidades, todos os mecanismos defensivos de banalização, todo o nosso imediatismo inútil, todo nosso individualismo infantil... nossa falta de informação e reflexão... enquanto pendurar todos esses mecanismos e "prisões"...


...vidas e mais vidas humanas, todos os minutos, todos os dias, continuarão sendo aniquiladas, humilhadas, sugadas, prostituídas, pisoteadas... quanto mais e mais de sofrimento, dor, mortes, desalentos, desesperos vamos continuar assistindo passivamente, enquanto aplaudimos os "atores" do status quo, enquanto continuamos damos força aos opressores e dominadores (inclusive cultuando seus valores)... enquanto isso, o nosso planeta, la madre natureza, provedora de toda a VIDA (inclusive a nossa) está sendo sufocado, paulatinamente e incessantemente, pela obseção compulsiva de mais lucro, esmagando e destruindo milhares de espécies de plantas e animais, muitas desaparecendo para sempre, erosão de solos, rios contaminados... enquanto isso as contradições do capital avançam, mais e mais desemprego e precarização mundo afora, a automação não é para reduzir o tempo de trabalho e diminuir o fardo do trabalho repetitivo e insalubre, mas sim para excluir e tornar "supérfluos" seres humanos... e assim... mais favelas, mais miséria, mais opressão... a cada dia, seres humanos são divididos entre os provedores de riqueza (criando esta com o seu próprio sangue), e os que vencem, podem ser os "consumidores" de luxos e privilégios... enfim, PERGUNTO, ATÉ QUANTO VAMOS ALIMENTAR O MOINHO SATÂNICO DA NOSSA PRÓPRIA TRAGÊDIA???


Por isso repasso a todos vocês os textos abaixo, da "CARTA do BERRO", reforçando a máxima: "quem não entender agora, desista"


Edi Benini - Palmas/TO
professor, mas sobretudo, um ser humano,
por isso insisto, e luto sempre, pelo valor imensurável da vida, vida plena e livre

"EMANCIPAÇÃO OU BARBÁRIE/DESESPERO/MORTE"





--Anexo de Mensagem Encaminhado--
From: vanderleycaixe@revistaoberro.com.br
To: cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br
Date: Thu, 8 Oct 2009 19:44:54 -0300
Subject: [Carta O BERRO] MST e laranjas / O mst e os laranjas / O lado do Barão / São três textos com dados e análises sobre os acontecimentos e o que envolve o MST e o barão das laranjas. Quem não entender agora desista.

Carta O Berro.................................................................................repassem

----- Original Message -----

<falista2@gmail.com



MST e laranjas


O MST é detestado por todos: da direita ruralista à esquerda chavista, passando por tucanos, petistas, psolentos, verdes, azuis e amarelos. Mesmo os que fingem apoiar o MST o detestam.

Isso porque há uma antipatia ancestral e inata contra o MST, esse arquétipo de nosso inconsciente coletivo, esse cancro irremovível que insiste em nos lembrar, mesmo nos períodos de bonança, que fomos o
último país do mundo a abolir a escravidão e continuamos sendo uma porcaria de nação que jamais fez a reforma agrária.

O MST é o espelho que reflete o que não queremos ver.

Há duas questões, na vida nacional, que contradizem qualquer discurso político da boca pra fora e revelam qual é, mesmo, de verdade, a tendência ideologica de cada um de nós, brasileiros: a violência urbana
e o MST. Diante deles, aqueles que até ontem pareciam ser os mais democráticos e politicamente esclarecidos passam a defender que se toque fogo nas favelas, que se mate de vez esse bando de baderneiros do campo, PORRA, CARAJO, MIERDA, MALDITOS DIREITOS HUMANOS!

O MST nos faz atentar para o fato de que em cada um de nós há um Esteban de A Casa dos Espíritos; há o ditador, cuja existência atravessa os séculos, de que nos fala Gabriel García Márquez em O Outono do
Patriarca; há os traços irremovíveis de nossa patriarcalidade latinoamericana, que indistingue sexo, raça, faixa etária ou classe social:

O MST é o negro amarrado no tronco, que chicoteamos com prazer e volúpia.

O MST é Canudos redivivo e atomizado em pleno século XXI.

O MST é a Geni da música do Chico Buarque - boa pra apanhar, feita pra cuspir – com a diferença de que, para frustração de nossa maledicência, jamais se deita com o comandante do zeppelin gigante.

E, acima de tudo, O MST é um assassino de laranjas!

E ainda que as laranjas fossem transgênicas, corporativas, grilheiras, estivessem podres, com fungos, corrimento, caspa e mau hálito, eles têm de pagar pela chacina cítrica! Chega de impunidade! Como o João Dória
Jr., cansei!

Jornalismo pungente

Afinal, foi tudo registrado em imagens – e imagens, como sabemos, não mentem. Estas, por sua vez, foram exibidas numa reportagem pungente do Jornal Nacional - mais um grande momento da mídia brasileira -,
merecedora, no mínimo, do prêmio Pulitzer. Categoria: manipulação jornalística. Fátima Bernardes fez aquela cara de dominatrix indignada; seu marido soergueu uma das sobrancelhas por sob a mecha branca e, além
dos litros de secreção vaginal a inundar calcinhas em pleno sofá da sala, o gesto trouxe à tona a verdade inextricável: os “agentes“ do MST são um bando de bárbaros.

(Para quem não viu a reportagem, informo,a bem da verdade, que ela cumpriu à risca as regras do bom jornalismo: após uns dez minutos de imagens e depoimentos acusando o MST, Fátima leu, com cara de quem come jiló com banana verde, uma nota de 10 segundos do MST. Isso se chama, em globalês, ouvir o outro lado.)

Desde então, setores da própria esquerda cobram do MST sensatez, inteligência, que não dirija seu exército nuclear assassino contra os pobres pés de laranja indefesos justo agora, que os ruralistas tentam
instalar, pela 3ª vez, como se as leis fossem uma questão de tanto bate até que fura, uma CPI contra o movimento (afinal, é preciso investigar porque o governo “dá” R$155 milhões a “entidades ligadas ao MST”, mesmo que ninguém nunca venha a público esclarecer como obteve tal informação, como chegou a esse número, que entidades são essas nem qual o grau de sua ligação com o MST: O Incra, por exemplo, está nessa lista como ligado ao MST?).

A insensatez dos miseráveis

Ora, o MST é um movimento social nascido da miséria, da necessidade e do desespero. Eles estão em plena luta contra uma estrutura agrária arcaica e concentradora. Não se pode esperar sensatez de movimentos sociais da base da pirâmide social, que lutam por um direito básico do ser humano. Pelo contrário: é justamente a insensatez, a ousadia, a coragem de
desafiar convenções que faz do MST um dos únicos movimentos sociais de fato transgressores na história brasileira. Pois quem só protesta de acordo com os termos determinados pelo Poder não está protestando de
fato, mas sendo manipulado. Se os perigosos agentes vermelhos do MST tivessem sensatez, vestiriam um terno e iriam para o Congresso fazer conchavos, não ficariam duelando com moinhos de vento, digo, pés de laranja.

Mas é justamente por isso que o MST incomoda a tantos: ele, ao contrário de nós, ousa desafiar as convenções: ele é o membro rebelde de nossa sociedade que transgride o tabu e destroi o totem. Portanto, para
restituição da ordem capitalista/patriarcal e para aplacar nossa inveja reprimida, ele tem de ser punido. Ele é o outro.Quantos de nós já se perguntaram como é viver sob lonas e gravetos – em condições piores do
que nas piores favelas -, à beira das estradas, em lugares ermos e remotos, sujeito a ataques noturnos repentinos dos tanto que os detestam? Quantos já permaneceram num acampamento do MST por mais do que
um dia, observando o que comem (e, sobretudo, o que deixam de comer), o que lhes falta, como são suas condições de vida?

Poucos, muito poucos, não é mesmo? Até porque nem a sobrancelha erótica do Bonner nem o olhar-chicote da Fátima jamais se interessaram pelo desespero das mães procurando, aos gritos, pelos filhos enquanto o
acampamento arde em fogo às 3 da madrugada, nem pelas crianças de 3,4 anos que amanhecem coberta de hematomas dos chutes desferidos pelos jagunços invasores, ao lado do corpo de seus pais, assassinados
covardemente pelas costas e cujo sangue avermelha o rio.

Para estes, resta, desde sempre, a mesma cova ancestral, com palmos medidas, como a parte que lhes cabe neste latifúndio.

Para a mídia, pés de laranja valem mais do que a vida humana, quero dizer, a vida subumana de um miserável que cometeu a ousadia suprema de lutar para reverter sua situação.

Mas os bárbaros, claro está, são o MST.

Por isso, haja o que houver, o MST é o culpado.


Postado por Maurício Caleiro às 02:18
Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
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O MST E OS LARANJAS

Laerte Braga

Qualquer que seja a dimensão da conjuntura e os fatos políticos que dela advêm o que permanece viva e presente em cada momento da vida é a luta de classes. Vejo com freqüência se dizer que é preciso deixar de lado conceitos da ortodoxia marxista e buscar enxergar a realidade de um mundo novo.

A leitura do Manifesto do Partido Comunista, publicado pela primeira vez em 1848 dá a nítida sensação que foi escrito hoje, poucos minutos atrás. Não há uma infirma mudança naquela realidade. Nem tampouco necessidade de releitura de conceitos marxistas.

http://www.ebooksbrasil.org/elLibris/manifestocomunista.html

De um modo geral esse tipo de argumento, como a “morte da História”, serve aos propósitos da classe dominante. Nada além disso.

Se alguém disser que a realidade de tempo e espaço é diversa, direi que apenas na sofisticação a que se permitem as elites a partir de tecnologias geradoras de formas de dominação mais perversas e brutais, ainda que não se consiga – muitos – deixar de olhar um letreiro da cadeia Mcdonalds, de sintonizar a GLOBO, qualquer outra rede, no pressuposto de um sanduíche ou do sucesso.

Criou-se de fato a “sociedade do espetáculo”. Com linguagem própria e meios que transferiram a adoração feita nos altares onde a reverência e a submissão se manifestavam no beijo do anel, para as imensas lojas de shoppings e um “deus” chamado mercado.

Não existe progresso se esse for de apenas uma classe. Aí é privilégio.

Eu não tenho dúvidas que os apresentadores e comentaristas de telejornais no Brasil, como em nações onde a luta de classes se mostra mais aguda, são atores. Dispõem-se a qualquer papel e à diferença de atores/atores (digamos assim) está no fato que não voltam nunca a ser pessoas. Bonner é Bonner em cada momento que representa a vida. William Haak e William Haak em cada instante do papel que cumpre. Não têm identidade.

Robôs? Numa certa medida sim. Perderam almas, não sabem o significado de compromissos éticos com a verdade, mas adaptam-se aos papéis que encenam com impressionante adoração pelo “deus” que lhes paga.

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) ocupou uma “fazenda” da CUTRALE, plantadora de laranjas e produtora de sucos. O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) informou que a “fazenda”, de nome Santo Henrique, pertence à União. São terras públicas griladas por uma empresa. Estão numa área conhecida como Núcleo Colonial Monção. O Estado depende de uma ordem judicial para recuperar a posse dessas terras recebidas em 1909 como parte de pagamento de dívidas da Companhia de Colonização São Paulo e Paraná.

Só contra a empresa CUTRALE o INCRA tem pelo menos cinqüenta ações na Justiça no município de Ourinhos, SP.

As decisões judiciais contra o MST saem em 48 horas via de regra. Contra empresas que grilam terras públicas só Deus, esse o outro, não o mercado, sabe.

A mídia vende a idéia de ato criminoso por parte do MST. Não toca na grilagem de terras públicas pelas empresas.

Nem passa perto das dívidas dos grandes latifúndios com o Banco do Brasil e agências de fomento da União. Nunca foram pagas, são sempre roladas. Ignora os resultados obtidos nas pequenas propriedades rurais e os benefícios gerados a partir daí. Nem pensa em mostrar os resultados da pesquisa do IBGE que mostra a concentração crescente de terras no Brasil em mãos de poucos proprietários (pessoas físicas ou jurídicas)

É que esses pagam os salários dos atores/apresentadores. Os donos.

Quando a senadora Kátia Abreu, envolvida em desvio de verbas públicas para a agricultura e despejadas em sua campanha eleitoral vocifera contra o MST encontra abrigo na mídia.

Já os desvios, as dívidas da senadora por conta dos financiamentos públicos... É desse dinheiro que sai o esgar de ódio de gente como Bonner, Haack, Boechat, Miriam Leitão, Alexandre Garcia. Levam vantagem sobre atores.

Marcelo Mastroiani não conseguia dizer um não a contento do diretor, no caso Federico Felini. O gênio chamou-o a um canto e lhe ensinou a “técnica”. “Trave a bunda, dê três pulos e diga não”. Saiu como queria Felini. Mastroiani voltou ao normal nos sorrisos que se seguiram à tomada.

Deixou o ator na película e saiu gente.

Apresentadores/atores não conseguem isso. Vivem em tempo integral o papel de veicular a mentira, o ódio, de servir à classe dominante.

O MST não cometeu nenhum ato criminoso. Criminosos são os grileiros, no caso a CUTRALE.

O distinto cidadão não sabe a porcaria que come ou bebe no “milagre” dos transgênicos, ou dos produtos que promovem “saúde”, emagrecimento rápido, que o colocam no mercado, dentro dos padrões em que é consumido e consome segundo a vontade desse “deus”.

Toma ACTVIA todo dia e acredita piamente que o que é veiculado pela tevê é “saúde”. Não faz a menor idéia do que seja essa “saúde”.

Nem percebe que vai sendo transformado em objeto num mundo cada vez mais brutal e violento. Seja na decisão judicial que reintegra uma empresa na posse do que não é dela, ou que pune trabalhadores.

Importante é prestar atenção no JORNAL NACIONAL, no JORNAL DA BAND. Seguir a risca os ensinamentos de D. Ana Maria Braga e acreditar piamente que “milhões” de pessoas morreram no mundo de gripe suína segundo outra dona, essa Dona Miriam Leitão.

Nem sequer busca saber que a gripe suína chegou aos seres supostamente humanos a partir do descuido, digamos assim, de uma grande empresa criadora de porcos no México, as GRANJAS CARROL. E que o lucro foi dos laboratórios fabricantes do medicamento curativo ou salvador.

É que recebe diariamente doses cavalares de verdade absoluta e única da mídia. Nessa moeda só existe a cara deles, não há coroa.

Há uma pequena confusão sobre o artigo que deve preceder a palavra laranja, no plural ou no singular. Se feminino, referindo-se à fruta, ou se masculino, se definindo o caráter dos que veiculam tanta mentira pelos meios de comunicação. Tevê e rádio principalmente pelo seu largo alcance.

Nada disso é do nada, assim da cartola mágica da senadora Kátia Abreu.

Há dias o governo Lula prometeu que seria assinado o decreto que atualiza os chamados índices de produtividade. Aqueles que determinam, em última instância, o que é terra produtiva e o qual não é. Ouriçaram-se os latifundiários. Não têm compromisso com produção que não seja de transgênicos et por cause, dos financiamentos públicos que não vão pagar nunca, como nunca pagaram. Conhecem trabalho escravo, sabem de cor e salteado, de trás para a frente, é prática cotidiana deles.

Por largo período se impediu a divulgação de uma cartilha explicando ao consumidor o que é produto orgânico, produto que contenha orgânicos e produto não orgânico, transgênico, que, como prevê a lei, todos terão selo identificador a partir de 2010.

Não interessa que o distinto público saiba o que está ingerindo. O distinto público tem que assentar-se à frente da telinha, jurar fidelidade a “santa” Miriam Leitão e entupir-se de saúde nos potinhos de ACTVIA, mesmo que repletos de todas as podridões transformadas em sabor morango.

E achar que os criminosos são os trabalhadores rurais. Os latifundiários são geradores de progresso.

O deles.

Não existe alternativa de luta num modelo falido. Num institucional podre e comido por dentro e por fora na sua estrutura. No seu âmago. Alguém acredita num judiciário com Gilmar Mendes? Num senado com Artur Virgílio, ou Tasso Jereissati? Ou José Sarney? Num funcionário da Fundação Ford querendo ser presidente da República, falo do governador José Serra de São Paulo (propriedade privada da FIESP/DASLU)?

É esse tipo de gente que forma e representa a classe dominante, limpa, lavada com OMO e que usa COLGATE para branquear os dentes.

O artigo que define laranja é masculino. E no plural. São laranjas, mas não frutas. Tão somente criminosos que servem à classe dominante.

As pontas do crime organizado em modelo político e econômico.

O MST é uma resistência a todo esse processo perverso. Tanto se manifesta nos noticiários das tevês, rádios ou nas insinuações falsas de jornais marrons, como na borduna que oprime trabalhadores aqui, ou em Honduras, em qualquer parte do mundo. Inclusive nos EUA, onde 90 milhões de pessoas vivem à margem dos “benefícios” do chamado Estado.

Mais ou menos como aqueles navios antigos que um timoneiro ia batendo o ponto marcado para os remadores, enquanto os senhores se refestelavam nos festins do poder. Quando um remador/escravo se rebelava era atirado ao mar. Quando morria à míngua e de tanto ser explorado também jogado ao mar.

Neste momento estamos sendo jogados ao mar. E tratam de primeiro jogar o MST. Transformá-lo naquilo que eles são: criminosos. Classe dominante, logo a que explora.

Em caso de depressão corra a uma agência de turismo, compre uma passagem para Chicago. No dia 18 deste mês de outubro vai ser leiloada por 12 mil dólares a mecha de cabelos de Elvis Presley. Foi guardada por um amigo dos tempos em que o cantor prestou serviço militar na Alemanha, no esquema Elvis canta para a democracia.

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O lado do barão

A televisão tem mostrado repetidas vezes um breve vídeo feito desde um helicóptero da Polícia Militar de São Paulo onde aparece um trator atropelando alguns pés de laranjeira, no interior paulista. A ação é atribuída a militantes do MST, que invadiram a propriedade de cinco hectares de laranjais e estavam limpando uma área para fazer roças de milho e feijão, para subsistência do acampamento de sem-terras, próximo dali, na região de Bauru, a cerca de 320 km de São Paulo.

A área de laranjais de cinco hectares está localizada numa imensa gleba de 10 mil hectares e pertence à União federal. Foi grilada (invadida) pela empresa Sucocítrico Cutrale Ltda., de propriedade da família Cutrale, oriundos da Sicília, sul da Itália, há muitos anos. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, mas nenhuma providência legal foi tomada pelo órgão federal.

Segundo a Folha, edição de hoje, "a Cutrale, defendida com veemência por deputados e senadores depois de ter visto um de seus laranjais destruído pelo MST, injetou R$ 2 milhões em campanhas de congressistas nas eleições de 2006".

A revista Veja, em maio de 2003, publicou matéria com chamada de capa sobre a empresa Cutrale. Para a insuspeita revista da família Civita, "o brasileiro José Luís Cutrale e sua família detêm 30% do nercado global de suco de laranja, quase a mesma participação da Opep no negócio de petróleo".

Assim, a Cutrale não é cachorro pequeno, como pode parecer a quem não conhece a sua história, suas conquistas e seus feitos. É preciso, pois, contar um pouco desses fatos, para que o senso comum não pré-julgue a partir das imagens do vídeo da PM paulista (ou da própria Cutrale).

A partir deste parágrafo, as informações que passaremos foram extraídas da Veja, edição 1802 (14 de maio de 2003). Ninguém desconhece a marca direitista e conservadora do semanário da Abril, portanto, insuspeitos de estarem distorcendo informações sobre um player agressivo do nosso capitalismo tupinambá, como veremos.

A produção mundial de laranjas e derivados se reduz a duas regiões pontuais do globo terrestre, interior de São Paulo, no Brasil, e interior da Flórida, nos Estados Unidos. Cerca de 70% do suco consumido no mundo é plantado e industrializado por brasileiros (números conservadores de 2003).

A Cutrale vende suco concentrado para mais de vinte países, entre os quais os Estados Unidos, todos os da Europa e a China. Seus clientes são grandes companhias do padrão da Parmalat, da Nestlé e da Coca-Cola, dona de uma das marcas de suco de laranja mais populares nos Estados Unidos. O principal segredo do negócio consiste em adquirir fruta a um preço baixo – preço de banana, brincam os fornecedores –, esmagá-la pelo menor custo possível e vender o suco a um valor elevado - informa a Veja.

Em 2001, ainda no governo FHC, a Receita Federal se interessou pela questão enigmática da altíssima lucratividade da Cutrale (nos anos 80, a empresa teve taxas de retorno na ordem de 70%, um fenômeno raro) e teve dificuldade em analisar as contas do grupo. Fiscais de Brasília e São Paulo procuraram entender como a Cutrale ganha tanto dinheiro. Não localizaram nenhuma irregularidade. Uma autoridade da Receita relatou a Veja que a estratégia para elevar a lucratividade do grupo passa por contabilizar uma parte dos resultados por intermédio de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Com isso, informa a autoridade da Receita, a Cutrale conseguiria pagar menos imposto no Brasil. Trata-se de um mecanismo legal. Foi o que a Receita descobriu ao escarafunchar as contas da organização da família Cutrale.

A agressividade gerencial da família Cutrale é uma lenda no interior paulista. Os plantadores de laranja no Brasil têm poucas opções para escoar a produção. Há apenas cinco grandes compradores da fruta e Cutrale é o maior deles. Por essa razão, acabam mantendo com o rei da laranja uma relação que mistura temor e dependência. Por um lado, precisam que ele compre a produção. Por outro, assustam-se com alguns métodos adotados por Cutrale para convencê-los a negociar as laranjas por um preço mais baixo. Produtores ouvidos por Veja afirmam que a família Cutrale costuma fazer enorme pressão para conseguir preços melhores na fruta ou mesmo adquirir fazendas. "Empregados deles nos visitavam e queriam que a gente vendesse nossa propriedade. Do contrário diziam que seríamos prejudicados na safra seguinte", afirmou um produtor que passou pela experiência de negociar com os Cutrale. Outro fazendeiro relata história semelhante, pois também foi procurado para vender sua fazenda de laranja. "Antes de eu ser abordado, minha fazenda foi sobrevoada algumas vezes por um helicóptero da companhia", diz.

Outra reclamação comum feita a Veja por produtores diz respeito aos termos de alguns contratos de compra de laranja. No ano 2000, 200 produtores acionaram em bloco a Cutrale. Acusavam-na na Justiça de descumprir um contrato pelo qual a empresa se comprometia a receber 5 milhões de caixas de laranjas. Segundo os produtores, nos dias em que eles tentaram fazer a entrega, os portões estavam fechados e a laranja começou a estragar. Os produtores quiseram ser ressarcidos pelo prejuízo, mas a Cutrale alegava que não lhes devia nada, já que não havia recebido a fruta. Os produtores receberam uma liminar para entregar o produto. Só depois disso a Cutrale aceitou a encomenda. "É difícil conseguir bons preços tratando com alguém que pode dizer não até sua laranja apodrecer", conta um produtor que por razões óbvias prefere não se identificar.

Essa linha dura já rendeu à Cutrale discussões legais por formação de cartel. De 1994 para cá [2003], Cutrale já foi alvo de cinco processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, a autarquia encarregada de preservar a concorrência. Ele não estava sozinho no caso. Foi investigado juntamente com outras grandes indústrias do setor. Jamais sofreu uma punição. Num desses processos, duas associações de produtores de laranja denunciaram ao Cade que Cutrale e outras indústrias estavam se reunindo para combinar preços, o que prejudicava os plantadores. O desfecho do caso foi amigável. As empresas assinaram um "termo de compromisso de cessação das irregularidades" com os fazendeiros, comprometendo-se a não se reunir para organizar preços. O Cade decidiu que as empresas de suco de laranja não poderiam se organizar dessa forma.

Em vários aspectos, a indústria de suco de laranja lembra as empreiteiras. Além de ser um mercado concentrado nas mãos de poucos gigantes, os dois setores mantêm uma longa história de dependência em relação aos governos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prece de Gandhi (ou declaração de amor ao genero humano)

Preçe de Mahatma Gandhi em música interpretada por Mercedes Sosa e Beth Carvalho

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Disciplina Gestão e Avaliação de Políticas Públicas

Curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade - UFT - Palmas/TO


Disciplina de outubro de 2009: Gestão e Avaliação de Políticas Públicas
Professor: Edi Augusto Benini

Datas: 23, 24 e 25 de outubro

Horários:
no dia 23, sexta-feira, inicia as 14h00min até as 18h00min, retomando as 19h00.
dias 24 e 25, manhã e tarde.


Gestão e Avaliação de Políticas Públicas

Ementa: Compreender os elementos que compõe determinada políticas públicas – agenda, desenho, implementação e avaliação. Ensinar instrumentos e referências básicas para se avaliar produtos, resultados e impactos de determinada ação ou política governamental. Discutir parâmetros de avaliação: efetividade, eficácia e eficiência, no contexto da avaliação do projeto de sociedade que tais políticas implicam. Tipos e lógicas de gestão pública (patrimonialista, burocrática, neo-patrinomialista, e pós-burocrática).


Bibliografia:

AFFONSO, R. B. A. A ruptura do padrão de financiamento do setor público e a crise do planejamento do Brasil dos anos 80. Planejamento e Políticas Públicas. (Brasília) n.4, dez 1990.

DRAIBE, S. M. e outros. Brasil 1985: Relatório sobre a situação social do país. Campinas: UUNICAMP, 1986. V. I e II.

RICO, Elizabeth (Org.) Avaliação de Políticas Sociais – Uma questão em debate. São Paulo. Cortez. 1998.

FIGUEIREDO, Marcus Faria e FIGUEIREDO, Argelina Maria Cheibub. Avaliação política e avaliação de políticas: um quadro de referência teórica. In Análise & Conjuntura, Belo Horizonte, Fundação João Pinheiro. Vol. 1, n° 3, set/dez 1986.

CERQUEIRA, Eli Diniz e BOSCHI, Renato Raul. Estado e Sociedade no Brasil: uma revisão crítica. ANPOCS, São Paulo, Cortez Editora, 1986.



Edi Augusto Benini

possui graduação em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp(1999) e mestrado em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas - EAESP/FGV (2004). Atualmente é professor assistente da Fundação Universidade Federal do Tocantins - UFT. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Desenho de Programas e Implementação, atuando principalmente nos seguintes temas: políticas públicas, economia solidária, autogestão, qualidade de vida e administração pública.
(Texto informado pelo autor)

Última atualização do currículo em 17/09/2009
Endereço para acessar este CV:
http://lattes.cnpq.br/8359512043390547




sábado, 3 de outubro de 2009

A problemática da Democracia: uma reflexão

Sem dúvida podemos afirmar que um dos conceitos mais importantes para a nossa civilizacão, é também um dos mais banalizados, ou seja, a idéia de "Democracia".

Quando muitos (especialmente a elite dirigente) adotam uma postura de, simultaneamente, defender a democracia no discurso, mas agir no sentido de desqualificá-la ou mesmo destruí-la, cabe sempre uma pergunta chave: qual democracia?

Advogo que o slogan de que democracia diz respeito a um poder que emana " do povo, pelo povo e para o povo", não se trata de um mero discurso, mas sim dos seus três pontos estruturantes fundamentais, ou seja:

  • "Do povo": significa que o povo é seu titular, é o "proprietário" do patrimônio público, o que implica no conceito de REPÚBLICA
  • "Pelo povo": aqui podemos afirmar que a população é, efetivamente, o sujeito principal das decisões, o gestor soberado dos negócios e assuntos públicos, o que implica no conceito de AUTOGESTÃO SOCIAL
  • "Para o povo": nesta perspectiva, o povo é o beneficiário das ações políticas de uma sociedade, o desenvolvimento é centrada nas necessidades humanas de forma coletiva e articulada, na qual todos melhoram suas condições de vida e dignidade, esse horizonte implina na idéia de EMANCIPAÇÃO SOCIAL
Além dessa três dimensões chaves, que qualificam a "densidade democrática", também é preciso considerar a sua amplitude, ou seja, se alcança e determina a totalidade da produção e reprodução social (inclusive a gestão tecnológica e dos meios de produção), ou se está restrita a apenas re-distribuir parte dessa riqueza, canalizada para a constituição de um fundo público que financia as diferentes ações estatais, ficando, dessa forma, ao arbitrio de alguns poucos personagens o controle ou domínio sobre os outros elementos fundamentas da reprodução social (ou seja, a propriedade, privada de alguns e para alguns, dos meios de produção da riqueza social).


Prof. Édi Augusto Benini
Universidade Federal do Tocantins