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Página específica para a 3ª edição do curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade:

quarta-feira, 31 de março de 2010

AVATAR, O IMPERIALISMO E O PAUPERISMO NO SÉCULO XXI.

“A expansão é tudo. Se eu pudesse, anexaria os planetas.”

(Cecil Rhodes, 1895)


Falava o milionário Cecil Rhodes, em 1895, que para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil os políticos imperialistas deveriam apoderar-se de novos territórios para enviar o excedente da população. “O império, sempre tenho dito, é uma questão de estômago. Se quereis evitar a guerra civil, deveis tornar-vos imperialistas.” Como sabemos de 1850 até a Primeira Guerra Mundial, mais de 40 milhões de pessoas foram “exportadas” da Europa, o que equivaleu mais de ¼ da força de trabalho, excedente humano. Hoje, esta solução, parece não ser mais possível. Quem assistiu ao filme Avatar percebeu como os EUA são cientes das suas ações imperialistas no mundo. Seria “Pandora” a região amazônica? Seria o México? Oaxaca? Chiapas? Na realidade, estamos, neste século, diante de novos desafios e de velhos dilemas. Ao velho dilema pauperismo a sociologia atual chama de “exclusão social”. Antes, na década de 1970, intelectuais brasileiros entendiam que a “exclusão social” constituía, de fato, um grande exército de reserva de força de trabalho. Este exército disponível era funcional e vital para o processo de acumulação de capital. F. de Oliveira (1976) e L. Kowarick (1975), por exemplo, compreendiam a “marginalidade social” como uma forma peculiar de inserção da população na sociedade, na divisão social do trabalho. O "subdesenvolvimento", ou seja, o pauperismo era entendido como um problema histórico singular que estava diretamente relacionado com a submissão dos países periféricos à acumulação imperialista do capital mundial e para tal havia as alianças de classes. No Brasil, por exemplo, as lutas reformistas e desenvolvimentistas foram derrotadas em 1964. Muito mudou com a democracia? O imperialismo - o processo de acumulação de capital por meio da expropriação da força de trabalho e destruição da terra - avança no século XXI de uma forma avassaladora (Arrighi, G. 2008). Os 57% dos trabalhadores da América Latina, os 40% da Ásia e os 60% da África que estão no chamado "mercado informal" não podem ser chamados de exército de reserva; uma vez "excluídos" já não são reservas de nada, não há um sistema econômico capaz de absorver essa grandeza de desempregados (Davis, M. 2006). Esses seres humanos excedentes são “inúteis para o mundo” capitalista, são "inempregáveis"; a política de Renda Mínima de Inserção Social, na França, não é capaz de resolver o desemprego estrutural (Castel, Robert, 1998). E ainda mais, a generalização do progresso capitalista dos países centrais é impossível, a natureza não suportaria, a terra seria destruída várias vezes. O Observatório Urbano das Nações Unidas (ONU) alerta que em 2020, infelizmente, a pobreza no mundo atingirá aproximadamente 45% do total dos habitantes das cidades. Os "Planos de Ajustes Estrutural", a acumulação financeira e a automação dos processos produtivos têm, de fato, jogado a maioria da força de trabalho mundial no desemprego, o que aumenta os seres humanos que vivem estagnados no "inferno da indigência". Como dizia K. Marx (1980), o pauperismo constitui o asilo dos inválidos e o peso morto do exército industrial de reserva, as mesmas causas que aumentam a força expansiva do capital e a riqueza ampliam a força de trabalho excedente, esta é a "Lei Geral e Absoluta" da incessante acumulação capitalista. Portanto, como superar, no século XXI, o pauperismo mundial sem destruir o planeta terra? Será suficiente a gestão da pobreza via política compensatória “sócio-neoliberal”? O que esta política tem compensado-além do estômago - na miséria brasileira? As várias bolsas - bolsa-família, renda mínima de 40 reais, a “ideologia do empreendedorismo social” e da “economia solidária” responderão, de fato, ao desemprego estrutural? Segundo a Organização Internacional do Trabalho a última crise aberta (estrutural) do capitalismo mundial adicionará 50 milhões de seres humanos aos 190 milhões de desempregados existentes. É possível construir no mundo capitalista a cidadania e realizar a fraternidade, igualdade e liberdade? O que fazer para superar o pauperismo e alcançar o progresso social da Suécia, Noruega, Dinamarca? Ficar tomando “Garapa” {nome de um documentário} e esperando a política compensatória é muito triste! “Seu Dotô uma esmola pra o home que é são. Ou mata de vergonha ou vicia o cidadão” – Lula, O Rei do Baião. (Vozes da Seca)


Professor Felipe Luiz Gomes e Silva

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